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QUANTA MACAQUICE (27/06/09)

Não era o resultado desejado. Entre a expectativa e a realidade tivemos um jogo que, baseado na primeira etapa, poderia perfeitamente ter outro desfecho. E favorável. Novamente pagamos caro pela ineficiência. Lá na dianteira o velho incômodo, a insistente inaptidão conclusiva. Como se fosse à repetição de um filme, um replay, tivemos outra seqüência de três lances que poderiam ser definitivos. Ficaram nisso. No campo das possibilidades, diante da incredulidade do torcedor. Sem fortuna, sem rede estufada. Mas, com domínio. Contenção razoável, deslocamentos rápidos e chegada. O gol chegaria, mais cedo ou mais tarde. E surgiu. Só que para os locais. Na segunda etapa, bola desviada e apagão generalizado sacramentaram outros dois tentos. O time acusou o golpe e parecia sem forças para reagir. Tcheco não teve boa jornada, seguiu tímido, travado. Uma braçadeira, em primeiro lugar, exige liderança dentro da cancha. Outra película já vista: nossos flancos seguiram pavimentados para os adversários. Mesmo assim, houve luta. Lá estava Maxi Lopez a não admitir a derrota, lembrando aos companheiros que no Grêmio não desistimos, não importando o placar. Assim surgiu a falta e o gol redentor, do agora contratado Souza, que enche de esperança e confiança a massa gremista. O leitor, a exemplo de quem digita estas linhas, sabe que vamos reverter. Nesta Libertadores, onde não se enxerga mais invictos, nossa convicção de rumar para final segue intacta. A despedida do Cruzeiro será em grande estilo no Monumental pulsando, abarrotado de sentimento. Avalanche neles, pois nosso destino é erguer esta taça!

Entre os cerca de 50.000 mineiros que acompanharam acomodados a partida (provando que naquelas terras quem canta é mesmo Galo) um se destacou. Vestiu as nossas cores e foi um assistente privilegiado dentro do gramado. Este Alex, que responde por Mineiro, parece alienado ao que acontece a sua volta. Considerando-se o já arrastado retrospecto, não se entende por qual razão foi escalado. Aliás, os gremistas em geral não assimilam sequer por qual razão se fardou, viajou com o grupo. Sua constante displicência e falta de energia são indefensáveis. Quem tem a honrosa tarefa de representar o Grêmio (alô plantel tricolor, comissão técnica), não pode se comportar de forma omissa. Deve ter vergonha na cara, do contrário que siga seu rumo e bem longe do Olímpico ! De nossa parte não falta apoio a todo e qualquer jogador gremista, porém exigimos uma contrapartida mínima que é justamente o máximo de doação. Vamos repetir, pois a decisão desta vaga a final segue muito próxima: total dedicação, resoluta entrega e combatividade externada no bico das chuteiras. É o básico, do contrário não serve ao tricolor.

Que torcida. Vieram de todos os lados. Na fiel localidade tricolor do Magalhães Pinto soavam sotaques distintos, mas, na essência, uma só voz a empurrar o Imortal. Alguns viajaram demais, muito chão, muita estrada, cruzaram céus levando seu apoio entusiasmado pelo Grêmio. Das Minas Gerais, do Espírito Santo, da Bahia, de São Paulo e Rio. Saíram de Porto Alegre, Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Santa Maria, Cambará, Bagé, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Rio Grande, de inúmeros municípios do vasto Pampa Gaúcho. Valorosa Nação Tricolor. Na figura dos amigos Leandro De Nardi e Lourenço Prati à saudação da coluna aos que não mediram esforços para marcar presença, superando toda sorte de empecilhos. Segue a mobilização, pois queremos e teremos a Copa. E no domingo, lá na Ilha do Retiro, por certo outros tantos estarão demonstrando o seu gremismo.

Os irmãos Perrela são matreiros. As legítimas raposas. Dispensam maiores comentários, até pelo histórico desabonador. Alguém tem dúvidas que Elicarlos foi muito bem orientado por sua direção nos primórdios da gigantesca encrenca ? É óbvio que o jogador cruzeirense, assim como qualquer um, tem o direito de protestar sentindo-se ofendido. Curiosamente não o fez num primeiro momento (intervalo). Esperou o encerramento para buscar o espalhafatoso microfone da Globo. Pouco antes do alarido, Zezé Perrella discursava. Flagrado em sua participação, nesta não tão bem montada armação, agora tenta posar de vítima. Chama de irresponsáveis os dirigentes do Grêmio que justamente (a exemplo do conjunto do plantel) sofreram o constrangimento. É mais um cartola covarde que, passado o ocorrido, tenta posar de vítima. Já percebeu a imensa onda de indignação sulista que gerou e sabe: quem semeia ventos, colhe tempestades.

O episódio envolvendo Maxi Lopez segue deliciando os detratores: suposições, distorções, relações de nexo inexistentes. Ainda não está esclarecido, pois recém começa a tramitação numa delegacia, porém já recebe sentenças e condenações. O racismo é inaceitável, destestável, reprovável, tanto como a demagogia. A amargura local, entrincheirada em redações e esparramada por outros espaços institucionais, aproveita o momento para despejar seu ressentimento. Quanta balbúrdia. Quanta macaquice.

O campo de jogo é um terreno de supremacia da bola, mas igualmente espaço privilegiado das provocações, das injúrias. Futebol é contato, dividida, inquietude, xingamento. Não há etiqueta no tratamento verbal nestas arenas de disputa, nem mesmo (e principalmente) entre os torcedores. Deveria ficar no máximo nisso, preferencialmente. Tais evidências geram farto debate sociológico, antropológico e só não avançam nas mesas de bar pelo fato da cerveja esquentar no copo. Nesse contexto pode ter ocorrido algum desentendimento (agora explorado de forma pirotécnica) e sabe-se lá o que exatamente foi dito (de ambos os lados). Na condição de argentino que joga no Brasil, Maxi sabe bem o que é ouvir ofensas sistemáticas. A situação inversa, resultado de histórica rivalidade, também propicia marcação cerrada no país vizinho aos brasileiros. Nosso atacante, nestes meses de clube, já escutou as mais diversas injúrias (qualificadas ou não) por parte dos adversários. E por sua nacionalidade. Encerradas as peleias, tem plena consciência de que tais provocações findam e sossegam naquele terreno minado e desafiador dos gramados futebolísticos. Assim tem que ser. Isso, lógico, até começar a próxima partida.

As cenas deploráveis no pátio do estádio, com policiais civis em flagrante abuso de autoridade tentando invadir o ônibus que conduzia a delegação gremista, sacando armas e agredindo a quem se opusesse a sua ação tresloucada e midiática não serão esquecidas tão cedo. Pareciam atrás de um marginal (desde o vestiário, bom frisar, na origem de tudo) e prestes a desbaratar uma quadrilha. Dirigentes e funcionários do Grêmio foram constrangidos e a instituição foi agredida. A imagem do clube foi exposta de forma aviltante. Não conseguiram seu intento de entrar no veículo a força e arrastar nosso jogador, sendo obrigados a negociar. Cezar Pacheco, Krieger e outros se postaram a frente, insurgindo-se contra esta violência. Não se viu, nestes momentos de maior tensão, nenhum dirigente celeste para apaziguar. Pedras foram arremessadas contra o veículo que ficou trancado, a exemplo de tantas outras que acertaram coletivos que levaram gremistas ao Mineirão (tanto na chegada, quanto na saída). Constrangimento ilegal, ameaças, agressões, depredação. Esse foi o tratamento dispensado aos gaúchos. Uma vergonha. Para a partida de volta, pedem paz. Repetidos apelos são feitos, aparatos de segurança (lá insuficientes ou ausentes) estão sendo montados. Só está faltando solicitar a organização de um ato ecumênico e o recebimento dos visitantes com hinos de louvor. E a nossa imprensa regional, os pulhas de plantão, resumem toda esta ocorrência nojenta como se o Grêmio e os seus representantes a tivessem criado : “Aquelas cenas poderiam não ter acontecido”. É o coro dos hipócritas (com ou sem abreviatura nominal de sanitário), complacentes com a ação, porém implacáveis com a reação.

A gravação do promotor de justiça aposentado Cláudio Brito “comentando’ ao vivo na Rádio Gaúcha os desentendimentos que ocorriam no Mineirão é algo lamentável. Lá pelas tantas, para tentar justificar ou amenizar o uso de armas sacadas (e isso que só falou neste “detalhe”, pouco antes de se despedir, ao ser indagado pelo âncora do programa) referiu uma fala do dirigente André Krieger que teria citado a palavra “resistindo” (no caso resistência a ação policial). Este cidadão, já tendo escancarado posturas desrespeitosas ao Grêmio no ar (numa delas, em seguida, teve que se desculpar pela infelicidade, pelo mau gosto), faria um grande favor em se abster de falar “tecnicamente” sobre tudo que envolve o tricolor. Assim, teria mais energia para despejar seu proselitismo em assuntos carnavalescos e no que for concernente ao tradicional rival (sua opção clubística). Ficaríamos extremamente agradecidos.

Por falar em discriminação. Odiosa, ridícula. No jogo contra o Caracas (em mais uma atitude de retaliação diferida no tempo, estúpida), não foi permitido o acesso de faixas, trapos e barras no Monumental. A justificativa dos materiais terem sido barrados pela BM seria o fato de alguém (?) ter arremessado um rojão numa partida anterior (o que, no mínimo, indica falha na revista dos próprios brigadianos). Um fato isolado que serviu de pretexto para punir a festa do conjunto dos gremistas (e isso está sendo repetitivo, vai gerando muita irritação). Está na hora da diretoria do Grêmio ter a mesma veemência de BH e se colocar na dianteira da defesa dos seus torcedores. O Monumental é a casa dos tricolores ! Até quando vai permanecer esta asneira de cercear/impedir o espetáculo visual da torcida gremista ? Fica registrada a reivindicação pública de que, no 02/07, não seja retirado o elementar direito de levarmos mais azul, branco e preto as nossas arquibancadas.

Ronaldinho Gaúcho no Grêmio em 2011 ? Sou a favor. Poderemos, assim, finalmente inaugurar uma “calçada da infâmia” (já estou sugerindo a ouvidoria). Vai ser uma marcante cerimônia. Os dois primeiros convidados desta merecida homenagem aos renegados seriam justamente os irmãos Moreira. Que honra. Após gravarem os pés numa bacia com terra e detritos orgânicos, seriam aplaudidos efusivamente e conduzidos gentilmente ao pórtico para retornarem ao Lami (para os treinos da equipe do Porto Alegre) ou para o raio que o parta. Agenda rápida, destas que não comprometeria a balada noturna.

Quem é Chico Lang ? Outro cretino desqualificado que não ousaria pisar em nossos pagos. Conclua: tem povo, no âmbito tupiniquim, que sofre mais calúnias, injúrias e difamações que o do Rio Grande ?

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 


 

QUEM INSPIRA E COMOVE (19/06/09)

Os venezuelanos vieram para complicar. Não esconderam, em nenhum momento, sua disposição de dificultar ao máximo a vida do Grêmio. Foi um jogo corrido, mas arrastado e angustiante pela indefinição. A chuva fina não impediu a velocidade dos deslocamentos. De lado a lado, a bola não descansou. Mesmo superiores tecnicamente, não apresentamos a devida supremacia. O que gerou mais impetuosidade em quem não tinha a responsabilidade maior de triunfar. Um recuo exagerado, aceitando a marcação do adversário e sua saída em contra-ataques, nos levou a sofrer pressão na parte final do embate. E, quando conseguimos chegar (e o setor de criação com debilidades), nossa repetida e preocupante ineficiência conclusiva se fez presente. Menos mal que, do outro lado, dois jogadores do Caracas livres e batendo cabeça, devolveram o desperdício e consagraram o empate que nos leva a continuar nesta disputa.

Igual, avançamos. E, mais do que nunca, é hora de determinação, superação e responsabilidade com este clube e com esta história. Não aceitaremos vacilos e jogadores descompromissados, quase bocejantes. Nos empates diante do Fluminense e Caracas tivemos aquele espírito guerreiro e platino de Maxi Lopez a dar o exemplo do que se exige minimamente no Grêmio. Herrera é outro que se entrega de coração, de alma. Poderíamos listar outros, mas ficaremos nestas duas citações como referência para que figuras apáticas e sumidas nem pensem em se fardar. Mais além do que esquemas táticos (e reconhecemos as dificuldades naturais desta transição), se impõem entrega absoluta. Chegou o momento das pelejas mais encarniçadas e todos devem dar mais de si, como se cada confronto que se aproxima fosse a última e derradeira batalha. Voz forte e atitude, dentro do campo e no vestiário. Da arquibancada não faltará apoio e, sabemos bem, jamais se fará ausente a confiança. Jamais temer.

No ensolarado Rio de Janeiro se fizeram presentes, ocuparam todos os espaços. Junto aos que daqui se deslocaram, celebraram a alegria de reencontrar o tricolor. Na quarta-feira de tempo impetuoso e horário global, 40.000 compareceram ao Olímpico para levar o Grêmio a mais uma semifinal de Copa. Vaiaram os oponentes, se indignaram com o arbitro e bandeiras, cantaram. Mas, sobretudo e majoritariamente, alentaram. Desde a Carlos Barbosa até a Cascatinha, no ritmo dos bumbos, dos trompetes, e do sentimento por este clube extraordinário e de tantas e memoráveis alegrias. Agora, o destino é copar as ladeiras de Belo Horizonte. Vestir a camisa multicampeã, sagrada, pegar a bandeira, o trapo. Convocar os amigos e rumar para este Mineirão que nos desafia a confirmar que somos e sempre seremos o Grêmio. O que enfrenta, se impõem e cala os oponentes. Aquele que constrange os incrédulos. O que tem uma torcida que inspira e comove. Nas boas e nas ruins, lado a lado, ombro a ombro. Inigualável, sem filiais ou versões genéricas e caricatas. Estamos a caminho. Pois o certo, amigo leitor, é que nós estaremos, com o Grêmio onde o Grêmio estiver.

Adilson Batista é um vencedor. Um sujeito que possui e terá o eterno respeito da Nação Tricolor. Bom profissional, baita caráter e que, não por acaso, é o “Capitão América” da gloriosa jornada do inesquecível Bicampeonato da Libertadores. Na entrevista concedida, ainda no Morumbi, logo após sua merecida classificação a esta semifinal, repetiu por mais de uma vez seu carinho, sua relação de vida com o Grêmio. Por uma destas ironias do futebol (que terá em Autuori, enfrentando os mineiros, outro episódio), será o comandante do adversário a ser batido, para que sigamos na busca do Tri deste Continente que pretendemos, uma vez mais, pintar de azul, preto e branco. Será muito bem recebido, aplaudido, numa daquelas cenas memoráveis e que vão atestar o nosso reconhecimento e apreço. Bola rolando, terá que sair derrotado. E mesmo que se vá desclassificado da competição (e por isso lutaremos), jamais deixará de ser um grande.

Antes do reencontro com o capitão, que promete emoção, teremos o sábado. E mesmo sem muitos titulares, um compromisso fundamental perante o Goiás. Momento de afirmação no brasileirão e, jogue quem jogar, necessidade de somar os três pontos na tabela. Ao redor do Monumental, aquele abraço, a cerveja gelada e o contentamento de sermos todos gremistas !

Vamos Tricolor !!!

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

NADA MAIS APAGA ESSA HISTÓRIA (08/06/09)

Foram três partidas. As dificuldades e um empate razoável em Caracas, a derrota (no último momento) num Barradão impregnado de festa e de acanhamento / lentidão burocrática do Grêmio e o passeio (já na recuperação) perante o bom e velho freguês pernambucano. Autuori já se faz presente, embora seja necessário considerar o evidente momento de transição (alteram-se ideias, ritmo de trabalho, rotinas) e a repetição de algumas deficiências que preocupam. Este considerável intervalo antes do próximo compromisso propicia, especialmente, o trabalho de ajustes e assimilação do novo sistema de jogo (4-4-2). As correções vão passar impositivamente por esta formatação diferenciada da equipe. Além disso, é forçoso dizer o seguinte: o espírito do time tem que ser o apresentado por Maxi Lopez (que é o estilo com a cara do copeiro tricolor)! Entrega total, meu amigo, combatividade e solidariedade é o mínimo que esperamos e exigimos de quem joga no Grêmio! Acredito ter sido este o “pano de fundo” da manifestação pública do argentino, depois criticada publicamente por Souza. Se esta insurgência é por não aceitar passivamente as derrotas, saúdo tal manifestação. Um grupo aguerrido não se conforma com os insucessos e tem capacidade de reflexão e rearticulação interna. E o alagoano que tem fome de bola demonstrou grandeza logo após a vitória sobre o Náutico. Na coletiva (lado a lado com Maxi) reafirmou os motivos de suas críticas e reconheceu o talento e a importância do gringo. Calou os que torciam por uma crise e solidificou a união do plantel. Foi o seu terceiro gol (e que golaço) na noite onde teve uma atuação estupenda. Os outros dois foram no campo, no tempo regulamentar. Contudo, é um sujeito polêmico: está novamente envolvido numa discussão pública. Teria ou não dado a tal entrevista ao jornal francês? Que fale menos e se resuma a continuar colaborando com o Grêmio (e com toda vontade e talento), desejo da maioria da torcida. Do contrário, que seja honesto e siga o seu caminho.

O mistério sobre qual teria sido a biba da vizinhança a estender uma provocativa faixa à briosa Nação Tricolor (em plena capital venezuelana) prossegue. Eis uma das tantas posibilidades de autoria (clique aqui)! Na verdade, dupla autoria. As discretas moranguinhas, flagradas neste registro, teriam sido flagradas em território chavista na data do jogo. Além de batalharem para que gestos e palavras de afeto na equipe da beira do lago sejam encarados com naturalidade (a começar pelo episódio da aeronave e também pelo famoso vídeo “fica comigo meu mel”), pretendem a expansão do seu rubro e fresco modo de torcer pela Latino América. Que meigo.

Da descontração do co-irmão a seriedade. O anúncio das capitais brasileiras que irão sediar a Copa do Mundo de 2014 não poderia ter sido feito em local mais apropriado: Nassau, nas Bahamas. Lógico que poderia ter rolado nas Ilhas Caymã, ou, quem sabe, até mesmo no paraíso suíço do sempre sorridente Mr. Blatter. No Brasil, a previsão é de investimentos (a maioria esmagadora oriundo do setor público) ao redor de 27 bilhões de reais para este magnânimo evento. Dinheiro vindo do erário (o mesmo que se apresenta “debilitado” para garantir minimamente saúde e educação país afora) para obras que, segundo o discurso ufanista e oficial, cumprindo com as exigências FIFA, “beneficiarão as cidades e a população”. Ah, bom. Que nobre. Deve ser por isso que se percebe tanto assanhamento por parte de espertos empresários, empreiteiros tramposos e políticos oportunistas de várias matizes. Diante desta chafurda, me desculpe o leitor, não há como evitar a náusea e aprofundar o ceticismo sobre o destino desta ambicionada competição e das suas milionárias verbas. Há, contudo, uma (solitária) convicção desta coluna: nos próximos anos o patrimônio pessoal do Sr. Ricardo Teixeira (homem abnegado e dedicado exclusivamente ao prestígio e progresso do desporto nacional) aumentará consideravelmente. Ao mesmo tempo, outros tantos terão suas contas bancárias engordadas. Tudo por conta de uma mera coincidência, evidentemente.

Não sou entusiasta desta Copa do Mundo (que me perdoe o comércio da cidade). Até pelo fato da Província não poder contar com um selecionado rio-grandense para, quem sabe, dar de relho nos europeus, asiáticos, castelhanos e outros índios bem loucos que desembarcassem por estes pagos. E, convenhamos, a “escolha” feita para receber as partidas aqui no Estado é bastante questionável: justo o parque aquático localizado nas bandas da Padre Cacique. Afinal, é uma Copa de futebol ou de esportes náuticos? Na condição de gremista fervoroso sou suspeito para afirmar, embora objetivamente pense que há toda sustentação: o Monumental é muito mais estádio que o alagado campo da vizinhança com sua esfarelada estrutura. Nem mesmo uma cobertura da totalidade das dependências possui o campo do aterro, sem falar no fosso que durante anos foi usado como localidade para assistir jogos. Deste jeito, e com uma pintura interna que lembra toalha de mesa de pizzaria, recebeu o aval dos “exigentes” inspetores FIFA. Comédias.

Por falar em estádio. Faleceu Plínio Almeida, arquiteto que projetou a presente morada dos gremistas. Homem que, segundo depoimentos, trabalhou gratuitamente por seu clube do coração. Da construção a ampliação lá esteve, firme, se dedicando ao Olímpico. Não o conheci, porém tenho impressão que morreu triste com aqueles que, de maneira equivocada e estúpida, passaram a desmerecer esta grandiosa moradia que dignamente erguemos e seguimos copando. Tudo sob o pretexto de justificar ou, que seja, dar mais ênfase a proposta de construção de um novo estádio. Algumas defesas da ARENA (agora já decidida e que todos aguardamos sair do papel), obviamente, jamais necessitariam ter descambado para tal viés depreciativo. Não foram todas, bom frisar. Igual, não consigo conceber um gremismo que não reconheça e valorize, antes de tudo, os nossos domínios, o nosso gramado, a nossa história. São pré-requisitos para avançarmos para esta modernidade e futuro imediato (que nos levará a uma nova casa e, esperamos, uma nova etapa gloriosa na vida do Grêmio). São premissas básicas para um debate que imponha reconhecimento. Do contrário, só nos resta lastimar e oferecer desprezo por tais condutas. Nestas horas, lembro daquela placa (que deveria ser vista e revista por todo gremista, principalmente pela gurizada) que está afixada num dos acessos do Monumental, de autoria do ex-presidente Hélio Dourado. Está escrito o seguinte: “É preciso ser gremista para compreender essa força, essa motivação, esse impulso que leva um torcedor a erguer um estádio”. É esse o resumo do que não pode ser desrespeitado, mesmo agora, numa fase que já prenuncia uma despedida.

No próximo final de semana vamos ao Rio de Janeiro e, logo na sequência, teremos os representantes da República Bolivariana na capital dos Pampas. É jogo para total concentração e nenhum vacilo. Embate para 50.000 tricolores apoiarem de forma incessante na arquibancada, fazendo trepidar o Monumental da Azenha. Vale demais. A classificação nos deixará a quatro partidas do grande objetivo desta temporada. Neste passo a passo estamos chegando. Vamos tricolor !

Ainda não consegui assistir. Mas, não perco por nada. O ingresso na mão me parece garantia de forte emoção na sala de projeção. “Recordar é viver”, disse alguém com simplicidade e sabedoria. Comemorei, com toda uma privilegiada geração de gremistas, este título Mundial nas ruas de Porto Alegre. Na noite/madrugada de imposição e vitória sobre os arrogantes europeus e no retorno triunfal que trouxe a inédita taça e mais orgulho para o povo tricolor. Que jornada. Jamais vai ser esquecida pela dimensão extraordinária, pelo significado ímpar da conquista e por seu caráter de vanguarda. Tem gente que não aprendeu, insiste em querer não reconhecer. Mas, o fato é que o planeta vai ser eternamente azul e nada vai mudar esta tonalidade na atmosfera terrestre. E nós bem o sabemos: nada mais apaga esta história (chora amargura). O filme do Gerbase assim deve ter registrado.

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

 

 

RELEASE DVD "1983 - A ANO AZUL" (27/05/09)

Em 1983, a terra era azul, preta e branca. Para contar a história da conquista da américa e do mundo naquele ano histórico, o Grêmio lança o filme "1983 - O Ano Azul". O filme, produzido por Carlos Gerbase, Gustavo Fogaça e Augusto Mallmann, apresenta os depoimentos dos ídolos que fizeram do Grêmio o primeiro clube gaúcho Campeão do Mundo.

No dia 1° de junho, será realizada a pré-estreia do filme no GNC Cinemas do Shopping Iguatemi. Às 22h, somente para convidados.

No dia 5 de junho, "1983 - O ano azul" será lançado oficialmente, estreiando nas telas do GNC dos shoppings Iguatemi e Moinhos. A estréia poderá ser assistida pela nação gremista.

A Kives Filmes é a empresa licenciada para comercialização do DVD que será lançado para lojistas após exibição nos cinemas.

 

CORAGEM (25/05/09)

A estrela botafoguense não esteve solitária. Muito menos o Grêmio (este jamais estará). A companhia de ambos foi uma entusiasmada torcida tricolor que rondou os 30.000 presentes na tarde de domingo. O Monumental voltou a ter seu espetáculo visual e a percussão dos bumbos ecoou forte puxando os cânticos e trepidando às arquibancadas. Alento incessante, seja nos portões da Carlos Barbosa, seja na Cascatinha, e o sentimento de que vamos pelo triunfo e pela glória, a cada jogo, a cada competição. Paulo Autuori fez sua estréia e não decepcionou. Demonstrou que, além de ser bem articulado no verbo é bem articulado no desempenho de suas tarefas. Casa com perfeição seu discurso e a prática. Não por acaso fez questão de frisar que desembarca no Grêmio trazendo mais do que idéias: na sua rica bagagem toda uma trajetória e um “conceito” de futebol. Contudo, não há personalismo em tal afirmativa. Indagado insistentemente sobre quando a equipe terá, finalmente (e o sujeito tem apenas uma semana de trabalho, seus amargos),“ a sua cara”, não cansa de repetir: “a cara tem que ser a do Grêmio !” O respeito a história do clube também fica explicitado ao anunciar que, não somente qualidades técnicas serão levadas em conta na busca de reforços, igualmente será exigido “coração”, aquela vontade tácita de vestir nossa consagrada camisa. Aconstrução de um time com solidez defensiva, posse de bola e finalização efetiva agregou a palavra que não pode faltar diante dos desafios (e que entendemos ser uma das marcantes características deste amado Imortal): coragem. Que seja, desde já, lembrado e assimilado pelo grupo de jogadores tais concepções e tal espírito. Se assim for, temos promissoras expectativas para o ano todo. E nós gremistas, o leitor sabe muito bem, acreditamos sempre.

Sobre o jogo: percebeu-se outra movimentação. Desde a largada mandamos e o adversário teve os espaços nitidamente encurtados. Souza e Tcheco avançando e, não por acaso, inúmeras oportunidades criadas (uma delas no travessão). Entretanto, somente na segunda etapa a supremacia foi confirmada no placar: bicão de Jonas e bola na rede chamando a avalanche. E foi à entrada do arisco Douglas Costa que definiu a partida. No seu cruzamento, um primoroso e desconcertante passe de Maxi Lopez deixou a pelota na feição de um Fábio Santos que oportunisticamente chegava. Outra carimbada no barbante, festa e três pontos na tabela. A próxima etapa tupiniquim nos levará a Bahia de todos os santos enfrentar o rubro-negro local. Antes disso, o embate com os venezuelanos, numa disputa que promete ser acirrada. Total atenção e empenho, pois "não basta ser favorito, há que se provar o favoritismo no campo" (palavras do nosso treinador). Avante tricolor !

Frustração. E novamente referente aos fardamentos gremistas. Absolutamente justa a insatisfação da maioria dos torcedores. Afinal, não é de hoje que o fabricante resolve literalmente inventar moda no manto sagrado do povo gremista. O detalhe, não menos importante, é o seguinte: lamentavelmente estes rompantes de “design” arrojado são avalizados por quem tem justamente a possibilidade de vetá-los. Inovar não pode ser igual a descaracterizar. Nesta coluna, quando surgiu o desconforto com a linha de materiais de 2008, foi feito o seguinte registro: “Gosto não se discute. Certo ? Errado. Ao menos quando se trata da gloriosa camisa gremista. Aviso de antemão: não é uma questão estética e fechada em si mesma, mas sim uma questão de identidade. Falo da titular, a tricolor. Não é de hoje que se inventam arranjos, dos mais variados, para se diferenciar a apresentação de uma temporada para outra. O problema, na minha avaliação, são os devaneios, os exageros que acabam até descaracterizando algo que é muito mais que um produto de prateleira. Nosso fardamento principal carrega e traduz toda uma história, toda uma tradição. Portanto, deve-se manter um determinado padrão com absoluta fidelidade. Por exemplo: uma mesma tonalidade no azul celeste, listras verticais proporcionais neste mesmo azul e no preto, destaque para o distintivo e assim por diante. Fora isso, bom, que se mexa em detalhes menores e que não comprometam o conjunto. Ou seja: a essência da "jaqueta" precisa ser mantida!” Seria bom que os membros do Conselho de Administração (que respaldaram esta última novidade, segundo o presidente Duda), o responsável pelo marketing (assim mesmo, no singular) e quem mais tenha poder de decisão atentasse para tais parâmetros. O azul celeste, bom frisar, é estatutário. O mesmo estatuto (agora esquecido) que, redigido de maneira estúpida, impediu que o estrondoso sucesso da camisa alternativa denominada “shadow” fosse utilizado em jogos (a maior e melhor vitrine para qualquer produto). E mesmo assim, repetimos, foram o maior sucesso de vendas ! Após acertar nas duas camisas para disputa da Libertadores, retrocedemos nas que serão utilizadas no brasileirão. Evidentemente que estas últimas também venderão muito (como tudo que se relaciona ao Grêmio, recordamos), mas poderiam ter uma aceitação ainda maior pela Nação Gremista. E a tal polêmica gola, héin? Tem alguma outra finalidade que não seja a de destacar, ainda mais, a logomarca do fornecedor?

A desclassificação do Boca, creio, promove um sentimento dúbio na massa. Ao mesmo tempo que desejávamos uma revanche, nos agrada que tenham se dado mal antecipadamente. Falaram demais, muito, enquanto os uruguaios trataram simplesmente de jogar. E foi uma vitória ímpar, pois sobre os titulares dos xeneizes e numa Libertadores da América (nada semelhante, portanto, a derrotar um time de reservas e numa copa de suplentes). A bombonera se calou e Riquelme segue emburrado pelos cantos. Provavelmente procurando a própria soberba.

Ainda vai acontecer. Não sabemos exatamente quando. O cidadão, contribuinte, torcedor, vai chegar ao Olímpico, em dia ou noite de jogo, estacionará o seu carro, ou descerá das conduções. Caminhará tranquilo rumo a um dos bares onde encontra os amigos (para uma cervejinha básica e aquele papo tradicional), ou simplesmente se dirigirá aos portões de acesso do estádio. Olhará ao redor e perceberá que não há mais montado nenhum aparato bélico, nenhuma estrutura repressiva apta a controlar uma verdadeira rebelião, destas dignas de penitenciária. Vai respirar profundamente. Alguns, licitamente, vão até tragar o seu cigarro, despreocupados. E todos, sem exceção, vão comemorar o fim das rotulações e a derrocada dos procedimentos discriminatórios. Vai ser num dia qualquer, destes do futuro, incerteza que ninguém ousa antecipar. Um dia acontecerá.

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

 

FESTA E ARBÍTRIO (17/05/09)

Na Libertadores a Venezuela é o destino. Ao recebermos os universitários (campeões) peruanos, a maior dificuldade foi enfrentar aquelas poças que começavam a se formar no gramado. Os 23.500 gremistas presentes enfrentaram a intempérie, o frio que chegava e o horário de adicional noturno sem reclamar, afinal o prazer de estar ao lado do Grêmio sempre vale todo esforço. O jogo foi até arrastado, em que pese à determinação e a seriedade com que atuamos. No final, 2x0 (com direito a uma primorosa tabela platina), passaporte carimbado e agradecimento à massa que, nenhuma novidade, fez a sua parte. Na segunda-feira chega (finalmente) Paulo Autuori. Espera arrastada e que gerou ansiedade e preocupação na Nação Gremista. Nunca se aguardou tanto um técnico em meio a uma competição de porte. Ao mesmo tempo, não lembramos de tanta convicção numa contratação. A direção aposta na qualidade inegável deste profissional, seu carisma e no respeitável currículo de vencedor. Torcemos fervorosamente pelo acerto. Que seja muito bem-vindo e que nos leve a triunfar nas batalhas que já estamos travando e nas vindouras.


No campeonato nacional, arrancamos com aquele empate frente ao vice-campeão paulista. Jogo disputado, embalado pela presença e apoio de 45.000 tricolores, e que propiciou o duelo de Souza, Jonas e Maxi Lopez contra o badalado trio Neymar, Kleber Pereira e Madson. Mais uma vez, Ruy e Fábio Santos estiveram apagados e pavimentaram avenidas aos oponentes. Flancos abertos que faziam a bola viajar constantemente para nossa área. O gol de Rever fazia justiça pela movimentação gremista, mas, ao final, aquela cobrança de falta igualou o escore. Vaias surgiram contra o interino Marcelo Rospide. Ao contrário do que muitos possam pensar (imputando o início da manifestação aos que lá estavam pela acertada promoção de acesso), partindo dos mesmos locais, dos mesmos azedos protagonistas que costumam apupar até aquecimento. Injustas. Nosso responsável pela comissão técnica, que agora se despede, teve um excelente trabalho nesta interinidade. Com uma folha corrida de bons serviços prestados ao clube, não se furtou de colaborar. Sujeito humilde, trabalhador e que honrou o encargo e a laureada camisa tricolor. Obteve 100% de aproveitamento na competição sul-americana e nos deixa bem encaminhados para estes desfechos que se aproximam. No brasileirão, igualmente se despediu sem derrotas. Não vou considerar (embora a tabela da competição vá registrar naturalmente o contrário) o afano que sofremos pelo apitador diante do Atlético Mineiro. A penalidade inventada não lhe tira, moralmente, a invencibilidade. E sobre este jogo, tivemos tudo para virar na segunda etapa. E aí, temos uma ótima notícia: Herrera está, finalmente, retornando. Além da combatividade costumeira, voltou a estufar as redes e começa a pedir passagem na relação de titularidade dos avantes. A equipe tem excelente perspectiva (embora reforços sejam logicamente necessários) para este longo campeonato e, até recebermos o Botafogo (24/05) no Monumental, uma providencial (especialmente pela posse do novo comandante do vestiário) semana inteira estará disponibilizada para recuperações físicas, avaliações e treinamentos. Portanto, adiante tricolor !


Ainda sobre 2008. A única conseqüência prática do nebuloso episódio da última rodada daquele Brasileirão foi à suspensão por 90 dias do presidente da FPF (autor das denúncias) pelo STJD. Aliás, não seria da competência desta instância tal procedimento. Mas, foi o que aconteceu. O tal cidadão, sabemos, não é nenhum santo (não por acaso integra um organismo exponencial da cartolagem tupiniquim). Segundo informações divulgadas, brigas políticas na referida Federação teriam estimulado escancarar a denúncia. O que importa, contudo, é o seguinte: de lá para cá, o “episódio do envelope” ficou por isso mesmo. Ao desqualificarem a fonte e desconhecer outros elementos no sentido afirmativo de sua existência, é como se jamais houvesse ocorrido. O futebol brasileiro tem um histórico recente de aliciamentos e corrupção comprovada. Não há como evitar que suscitemos interrogações sobre o que exatamente ocorreu na véspera dos jogos decisivos. De qualquer forma, fica a lembrança, a indignação e a necessidade de estarmos permanentemente atentos ao que, vez por outra, acaba por escapar da veleidade dos bastidores.


A propósito disso, mas não exatamente no mesmo patamar (nível de sujeira) do frisado acima. É importante que os dirigentes do Grêmio, desde cedo, se insurjam contra os “erros de arbitragem”. No sábado, diante dos mineiros, o apitador paulista inverteu faltas, ameaçou jogadores (Souza) e comprovou ser mal-intencionado ao marcar uma penalidade inexistente no último minuto dos descontos. O pior: desconsiderou uma sinalização do bandeira (próximo ao lance) que apontava com serenidade o tiro de meta. Uma vergonha.


Nas duas últimas partidas esteve ausente o espetáculo visual da Geral do Grêmio. Nem sinal dos trapos e barras. Contra os peruanos, ao menos, a percussão dos bumbos retornou as arquibancadas. A informação oficial (não desmentida) dos motivos desta restrição seria a proibição por parte da BM em virtude da ação protagonizada por um reduzido grupo de imbecis (a adjetivação é desta coluna) que tentaram causar confusão no intervalo do jogo contra o Boyacó. O que não dá para entender é o seguinte: por qual motivo penalizar a toda massa torcedora que comparece no portão 10 ? Que ação repreensiva (e “educativa”) é esta que dissolve na multidão a irresponsabilidade de uma minoria de retardados que ainda não aprenderam a respeitar um espaço que deve ser de convivência tranqüila e respeitosa entre todos os torcedores do Grêmio ? Outra novidade é esta retaliação escalonada. Qual o sentido de prorrogar indefinidamente (liberando pouco a pouco) o acesso de tais materiais ? É uma obviedade que estão punindo a festa do torcedor em detrimento de tomar providências específicas contra os que tentaram causar um princípio de tumulto. E o grande prejudicado é o Grêmio, cuja diretoria (na sua hierarquia de comando, começando pela presidência) assiste a tudo de forma passiva, sequer se pronunciando sobre os fatos de repercussão que ocorrem dentro do nosso estádio.

Não bastasse esta censura injustificável (acima citada), a BM é também protagonista de um verdadeiro Estado de Sítio que ronda as partidas realizadas na casa dos gremistas. Quem vai ao Monumental tem a impressão de que trata-se de uma operação de guerra: isolamentos e restrições nos acessos das principais ruas. Na quarta-feira à noite, contudo, extrapolaram todos os limites. No Largo Patrono Fernando Kroeff, os pedestres que vinham da Carlos Barbosa em direção ao pórtico só podiam se deslocar por um dos lados da calçada. Quem tentava simplesmente atravessar para o lado oposto era orientado ou até coagido por brigadianos (e temos alguns depoimentos) a desistir da empreitada. Ora, o direito de locomoção é princípio constitucional e precisa ser respeitado. Nada autoriza a força policial a cercear ou inviabilizar o direito de ir e vir dos torcedores que simplesmente estão chegando. Se continuar assim, os gremistas serão obrigados a andar com um habeas-corpus toda vez que se deslocarem para o glorioso bairro da Azenha. Não existe nada similar em outras canchas deste RS, sendo, portanto, uma discriminação e um notório abuso de autoridade o que acontece nas cercanias do Olímpico. Tais providências espelham bem o resultado da longa e infame campanha de etiquetamento sofrida pela Nação Gremista. A imensa coletividade tricolor é tratada como um exército de marginais e baderneiros que precisam ser monitorados e conduzidos a todo momento e a qualquer custo. Mesmo que para isso seja desconsiderado o Estado Democrático de Direito e se mergulhe num perigoso esboço de Estado Policial. O que tem a dizer o corpo de autoridades legislativas e judiciárias sobre tais procedimentos arbitrários ? Por fim: qual a posição da direção do Grêmio, e até dos componentes do seu Conselho Deliberativo, sobre estes fatos ?

A moda, agora, é expoentes da imprensa esportiva “imparcial” do RS darem seus pitacos demagógicos sobre a torcida do Grêmio (sendo alguns deles surpreendentemente repercutidos por quem deveria, em primeiro lugar, justamente questioná-los). Os mesmos “jornalistas” que trataram, ao longo dos anos, de colaborar para generalizações espúrias e criação de rótulos odiosos. Os espaços do malfadado colunista W.C. (abreviatura pela qual o batizamos nesta coluna) seguem (de tempos em tempos) denegrindo o clube e o torcedor tricolor. É tão irritante como enfadonho. Recentemente se referiu à imortalidade gremista, uma das expressões da aguerrida cultura do clube, como uma “mentirinha”, tentando reduzí-la a uma criação publicitária. No fundo, busca (assim como parte dos seus pares de amargura) mesmo é audiência. Não dá para levar a sério (garanto que me esforço). Até pelo fato de todos sabermos que a grande mentira de alguns destes indivíduos e veículos é justamente proclamar uma pretensa isenção. A verdadeira questão que os fariseus deveriam pautar, ao invés de indagar sobre onde foram parar os materiais de um segmento da torcida (execrada por eles), é a seguinte: onde foi parar a ética nas redações esportivas da Província ? Algum deles conhece ? Em alguma ocasião conseguiu enxergar ?


Celebrações. Uma delas ao nosso lado, próxima. O Núcleo das Mulheres gremistas completou cinco anos de reluzente existência. Para orgulho de todos nós, trata-se de um coletivo que atua não somente no interior do clube, mas também de forma solidária e socialmente. Fica a saudação desta coluna e deste site. Uma outra festa, além fronteiras, diz respeito a uma veterana instituição que orgulha o futebol latino-americano e mundial. O Club Nacional de Foot-Ball cumpriu 110 anos de trajetória na semana que passou. O nosso abraço aos amigos uruguaios por este marco significativo e por mais um aniversário merecidamente festejado. Quem sabe não nos vemos numa final ? Que assim seja.


Por falar em ação solidária. Rolou mais uma corrida contra o diabetes. A sua 11ª edição foi um estrondoso sucesso. A doença não tem faixa etária, classe social e atinge a todos, independente de cor clubística. Ídolos de gerações da dupla que o digam (da nossa parte o extraordinário Alcindo, o “Bugre Xucro”). O Instituto da Criança com Diabetes (ICD) faz um meritório trabalho onde atende cerca de 1600 pacientes que não tem condições de custear o tratamento. Merece todo o respaldo.

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 


 

 

CLUBE DE MASSAS (09/05/09)

Metade do caminho foi percorrido e com efetividade. Ao cumprirmos a sétima (exitosa) jornada de quatorze encarniçadas batalhas pretendidas, nos regozijamos. Sim, porque para o Grêmio a Libertadores é, acima de tudo, um combate sem tréguas. E assim temos nos comportado, mesmo frente a um oponente que não foi abertamente hostil. Os peruanos bicampeões da terra dos fabulosos incas são destemidos e velozes. E por isso nos atacaram. Verdade que ficaram atônitos, boquiabertos com aquela dividida que ensejou um mortífero canhotaço estufando as redes locais. Obra do “chef” Souza, aquele que tem fome de bola e paladar refinado para construir e saborear vitórias. Os caras reagiram, empataram e chegaram a iludir sua reduzida assistência com modesto domínio das ações. Mas o tricolor, convenhamos (mesmo numa jornada que não foi das mais inspiradas), é veterano e diplomado. Com duas cabeceadas precisas do “Tanque”, grafadas com a carismática marca do número 16, lembramos ao San Martin sua condição de novato. A classificação está bem encaminhada, porém não definida. Não esqueçamos que, antes de pensar no Equador ou na Venezuela (e que a Conmebol não invente alterações na fórmula vigente), temos o dever de passar nova lição aos calouros de Lima. De modos que, na quarta-feira, no querido Monumental, precisamos entrar em campo com a mesma concentração e determinação. Buscar novo triunfo e avançar mais um passo na direção desta cobiçada Copa. Seremos milhares confiando, milhares apoiando. Rumo as quartas-de-final !

Força e Raça meu Grêmio temos que ganhar !!!


No domingo começa o brasileirão 2009 e o adversário é o Santos do Mancini. Nesta largada de certame nacional uma sensação incômoda de pendência. Resultado direto do descaso e da impunidade que permeiam a maioria das relações neste país. No esporte não é diferente. O futebol, aliás, é pródigo em escândalos fadados a um perigoso esquecimento. Na véspera da última rodada da temporada passada, numa acirrada disputa com os paulistas, uma denúncia de aliciamento veio á tona. Por acaso, justamente envolvendo a partida que teria os bambis como protagonistas. O arbitro escalado, com o intuito de ser preservado, foi afastado. Prometeram apurar os detalhes, investigar, divulgar. Lógico que ficou por isso mesmo, com o silêncio cúmplice da imprensa do sudeste (entre eles o farsante chamado Milton Neves, que tanto nos atacou) e a conivência da amargura midiática local. Nada esperamos da cartolagem. Mas, alguém saberia dizer qual providência foi tomada pela FGF ? Qual foi o acompanhamento neste caso e a medidas tomadas pela nulidade rubra chamada Francisco Noveletto ? A CBF (não ria, pois vou perguntar apenas por força de registro), se pronunciou em que termos sobre este episódio ? Qual a conclusão ? Poderíamos questionar outras instâncias/entidades (o inominável STJD, o acomodado Clube dos Treze) sobre este e outros tantos problemas que afetaram e afetam a credibilidade dos torneios tupiniquins. O fato é que necessitamos de uma reformulação geral (em alguns casos limpeza, com direito a desinfetante) na maioria das estruturas diretivas do futebol brasileiro. A grande questão é : quando isso vai ocorrer ?


A promoção relativa ao Dia das Mães é uma homenagem justa da direção gremista. As mulheres não pagarão e terão acesso (com exceção da tribuna de honra e camarotes) a todas as localidades do Olímpico. Com certeza, presença em grande número. Amortizará os que, mesmo com vontade de comparecer, estarão afastados pelo inexplicável aumento no valor das arquibancadas. Hoje, o ingresso “mais acessível” está definido em R$ 40,00. Um exagero. E totalmente contraproducente. Num momento que pretendemos intensificar o chamamento para trazer mais gremistas ao quadro associativo, tal majoração se reflete diretamente sobre o plano de associação disponível (sócio-torcedor), igualmente impactando os milhares que já integram tal modalidade. E aí, bom frisar, temos um enorme contingente de fiéis tricolores. Somos um clube de massas (um dia alguém vai ter que assimilar esta realidade no interior dos gabinetes diretivos) e temos insistido nesta coluna (há bom período) que uma política de preços para entradas e planos de associação deva ter este viés. Quem pode pagar mais, ótimo. Quem não pode, mas quer muito ajudar para estar na cancha alentando o Grêmio, deve ter também uma opção compatível com suas possibilidades econômicas.


Nesta semana a diretoria anunciou uma medida progressiva em termos de quadro social denominada “fidelização”. É mais um acerto e damos nosso apoio. Os gremistas querem esta relação cada vez mais direta e substancial com o clube que integram e amam. Contudo, o primeiro passo é facultar, em condições mais favoráveis, este vínculo. Somos, nunca é demais repetir, a razão de ser e existir desta instituição gloriosa. E o torcedor, o sócio, como diz a publicidade “é o que faz a diferença”. Que sejam sensatas as políticas para fazer valer esta máxima superando, desta forma, a condição de mero
slogan.

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

CAMPEÃO BRASILEIRO 1981 - 28 ANOS (03/05/09)

Há 28 anos (03/05/1981) o Grêmio tornava-se Campeão Brasileiro pela 1a vez.
Após despachar a Ponte Preta na semi-final do Brasileiro, o tricolor foi para a final contra o São Paulo.
Na 1a partida o público presente de 53.388 ve o clube paulista marcar o 1o gol, através de Serginho Chulapa. O torcedor ficou mais apreensivo, quando ainda no 1o tempo Baltazar perdeu um penalti.
Este penalti desperdiçado proporcionou a profética frase de Baltazar: 'Deus guarda algo melhor para mim".
Ai veio o 2o tempo e Paulo Isidoro fez os 2 gols da virada tricolor. Final 2 x 1.
A partida de volta no Morumbi era complicadissima. Uma vitória simples dava o título ao São Paulo.
O público eufórico do jogo final era de 95.106 pessoas esprando a grande festa paulistana.
Mas Baltazar Maria de Morais Júnior tinha razão. Deus guardou algo melhor para ele e para 60% da população gaúcha. Ele calou a multidão presente no Morumbi e fez a maior torcida do RS chorar de alegria e gritar: É campeão! Pois aos 20´do 2o t Baltazar cravou no ângulo de Valdir Perez um gol antológico e comemorou no final do jogo a festa que Deus havia lhe prmetido.
A gestão vitoriosa do grande presidente Hélio Dourado triunfou no campeonato Brasileiro de 1981.
O Grêmio formou com Leão, Paulo Roberto, Newmar e De Leon; Casemiro, China e Paulo Isidoro e Vilson Tadei (Jurandir); Tarciso, Baltazar e Odair (Renato Sá). Técnico: Ênio Andrade. O São Paulo formou com Valdir Perez, Getúlio, Oscar e Dario Pereira; Marinho, Élvio, Renato e Éverton (Assis); Paulo César, Serginho e Zé Sérgio. Técnico: Carlos Alberto Silva. Serginho Chulapa foi expulso aos 43´do 2o t e o juiz da partida foi José Roberto Wright.
Após o jogo, um sinal de grandeza que hoje em dia é impossível de acontecer. O São Paulo que já havia preparado toda a festa para a conquista do seu bi-campeonato brasileiro, através de seu presidente, ofereceu a festa em homenagem ao Grêmio.
A partir deste momento, o Grêmio abre as fronteiras da América e do Mundo para novas conquistas.

Fábio Mundstock

 

 

 

TRABALHADORES (30/04/09)

Não mais do que trinta minutos. E o placar do confiante e vibrante Monumental já indicava uma goleada que seria definitiva. O adversário veio acanhado, sabedor de suas limitações, todavia disposto a uma atuação digna. E de tal forma se portaram, porém sem forças para deter o ímpeto do tricolor dos pampas. E a comandar a vitória estava o alagoano que transformou um passado de fome e escassez em fartura de bola. Souza veio disposto a decidir, e com seu primeiro gol demonstrou que também vinha para brilhar: pé esquerdo, por cobertura, com direito a curva e um arqueiro pasmado. Ainda fez outro, estilo petardo de primeira. Uma atuação que rendeu o inusitado elogio de um adversário que, desde o banco de reservas, fotografava lances da partida e a festa inigualável das arquibancadas. “Es un fenomeno”, disse (findado o confronto) a Souza o jogador colombiano estendendo a mão. Antes deste reconhecimento final, na avassaladora meia hora citada no início deste texto, tivemos a felicidade de um terceiro tento na figura de um zagueiro artilheiro. Destes que não desperdiça uma boa chance. No segundo tempo, resumiremos as ocorrências a magistral defesa de penalidade efetuada por São Victor. Vitória, amigo leitor. Fundamental este triunfo. Daqui para frente, traremos para nossos domínios todos os demais derradeiros confrontos nas fases seguintes desta Libertadores. E tu bem sabes: significa Olímpico tomado e trepidando. Oponente abafado e tremendo nas bases. No centro do país certo desconforto aliado a um conformismo: “lá vem o Grêmio, de novo aqueles caras, os impertinentes gaúchos !” Pela aldeia, os ressentidos de plantão começam a ter suas intermináveis noites de insônia. São terças, quartas e, quem sabe, quintas-feiras (maldita Conmebol, maldito Bicampeão da América) de madrugadas que não vislumbram um amanhecer. Os aduladores rubros, entrincheirados em suas redações, também roem unhas e percebem a garganta seca. Pulhas de diversos veículos lançam pragas em voz baixa. Perante terminais, microfones e câmeras, se derramam em elogios adocicados para exaltar sua “isenção”. Diante de seus poderosos instrumentos a postura óbvia: aproveitam para exercitar o notório cinismo. De nossa parte, repulsa e riso. Estamos chegando seus amargos. É o Grêmio aguerrido e forte, mais uma vez, no rumo da retomada deste Continente. Seja na simpática Montevideo, ou na convulsionada Lima. Coparemos !!!

Pesquisa sobre torcida. Mais uma vez o Grêmio é vanguarda. O que não é nenhuma surpresa. Possuímos uma hegemonia em todo RS, de longo período. Somos soberanos, independente da classe social, e no interior do Estado a vantagem é ampla. O posto de maior contingente de torcedores fora do eixo RJ-SP, este mais recente, também está consagrado. Particularmente, não me importaria de pertencer a uma torcida que não fosse numericamente majoritária. Não abriria mão, contudo, de que fosse a melhor, a mais entusiasmada e presente. Afortunadamente, a condição de gremista me presenteia com todos estes quesitos. A lógica impõe que tratemos de consolidar este patamar e angariar novos adeptos a esta multidão. Eis o desafio. Buscar mais títulos. Taças erguidas nos pódios e, antes de rumarem para o Memorial, protagonizando comemorações inesquecíveis por todos os lados da Província. Valorizar e divulgar ao máximo nossas façanhas que servem de modelo a toda terra. Possibilitar aos gremistas que acessem e vivam o Grêmio (lá na cancha, dando seu apoio direto) dando a oportunidade para que adquiram um ingresso que não tenha um preço exorbitante, ou que possam pagar uma mensalidade compatível com o seu orçamento. Certo. Muitos talvez não tenham esta dificuldade. Entretanto, esta é a realidade econômica de milhares de outros tricolores de fé. No momento beiramos os 50.000 sócios em dia, regulares. É um número respeitável, mas ainda aquém da grandeza deste clube e do seu maior patrimônio que é esta Nação apaixonada. E, lógico, quem tem a maior e melhor torcida não pode ter um quadro social que não supere a divertida vizinhança (que não se constrange de avolumar seus números associando cães). A propósito: o presidente Duda Kroeff, em sua campanha, falava em uma meta preliminar de 80.000 sócios. Pois bem, mãos a obra. Até pelo fato da torcida tricolor continuar fazendo a sua parte.

Estamos batalhando pela conquista da América, a massa mobilizada. Existe melhor momento para uma campanha massiva de associação (e estamos reivindicando tal conduta, com remodelação de planos e quem sabe novas alternativas, desde janeiro)? O que aguarda o núcleo dirigente que justifique tanta lerdeza ? E sobre sermos a verdadeira maior e melhor torcida: quando vamos enxergar esta realidade propagada a exaustão em nosso marketing ? Especialmente nos produtos oferecidos pelo clube ? Uma esperança é a recém criada Comissão de Marketing, composta por gremistas atuantes, e que esperamos possa ter um caráter efetivamente deliberativo nesta área fundamental e igualmente estratégica para o clube.

No jogo contra os colombianos tivemos uma expressiva presença de público: 35.000 superaram a correria do final de dia, trânsito intenso, ônibus abarrotados, final de mês no pendura, ingressos caros e o que mais quiseres listar. Não deixaram de ir ao Monumental e cantaram pelo Grêmio e pela glória. Com direito ao tradicional alento da Geral e também dos que, agora, se organizam nas bandas dos portões da Carlos Barbosa. São todos gremistas e quem não entende isso, melhor seria que nem fosse a nossa cancha. É tão óbvio o direito elementar de torcer onde e com quem quiser que nem mereceria registro. Porém, o fazemos. Até pelo fato de repudiarmos disputas de espaço, de vaidade e seja lá o que possa rolar nos bastidores. Principalmente quando se trata do amado Imortal. O Grêmio é muito grande, gurizada. Não comporta tacanhez. E não esqueçamos que lamentáveis episódios (que só serviram para macular a imagem da instituição e do conjunto da coletividade tricolor) continuam a cobrar o seu alto preço. Sem falar na satisfação que propiciaram aos que sempre fizeram questão de rotular pejorativamente a torcida do Grêmio.

Nosso tradicional rival segue com suas crises de identidade. Não se aceita e, na busca incessante de se justificar, procura desvendar suas origens. Uma das mais recentes revelações é que foram fundados num porão (algo, digamos, sinistro) por aqueles desconhecidos oriundos de São Paulo. Enfim. Assunto deles. Agora, é emblemático nesta trajetória de tentar firmar alguma referência o histórico do distintivo rubro. Conseguiram a proeza de chegar a sua oitava edição ! Colocaram o nomezinho, o ano que se reuniram no porão e tal. Mas, faltou o básico: aquela setinha indicando o educativo “este lado para cima”. Não aprendem. Seguem há décadas colocando de cabeça para baixo o próprio símbolo. Divulgando um evento intitulado “Viva México” (aqui já renderia outra piada, mas respeitemos a epidemia e as baixas) e justo no complexo do aterro localizado na Padre Cacique, o banner não fugiu a regra. Clique aqui e confira. “Este lado para cima”, eis a singela contribuição desta coluna a nona edição do escudinho que, mais cedo ou mais tarde, virá.

Um feriado merecido. Uma saudação especial a todos (as) os (as) trabalhadores (as) na passagem de mais um 1° de Maio. Aos que estão empregados, aos que batalham na economia informal, aos que buscam uma vaga no mercado de trabalho e tantas outras situações. De modo especial, saudamos aos que laboram e vestem com orgulho as nossas três cores.

Dá-lhe trabalhador. Dá-lhe tricolor !!!

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

 

ROTEIROS (25/04/09)

Despertar. Rosto lavado. Xícara de café fumegando sobre a mesa. Passar os olhos sobre o jornal? Nem pensar. Corredor. Passos largos, elevador acionado e descida sem solavancos. No saguão do prédio, em fração de segundos, toda agenda do dia processada e a memória emitindo alertas sobre o que não pode ser esquecido. Lançamentos de relatórios, contas a pagar. A reunião de trabalho para o balanço do que já foi realizado e novos encaminhamentos. O almoço e a satisfação de reencontrar a família. Antes de retornar ao trampo ligar para saber sobre as inscrições daquele seminário e achar uma brecha para comprar as tintas da reforma doméstica que (finalmente) vai sair. Calçada. Atravesso a rua pisando com firmeza o asfalto e de olho na sinaleira. Do outro lado já é Montevideo. Avisto o parque gigantesco, o estádio Centenário imponente e o monumento do Carreteiro que tem todo um simbolismo local. Contudo, girando o corpo, Lima se apresenta generosa. Consigo mirar o estádio Monumental “de Ate” e igualmente percebo toda movimentação da agitada capital peruana. A minha frente, curiosamente, a vitrine de uma loja passa imagens embaralhadas da Cidade do México. Provavelmente algum programa da Televisa. Sacudo a cabeça ao entrar na condução e seguir o roteiro do dia. Ainda estou em Porto Alegre. Concentração é a palavra chave. Afinal, é preciso decidir algo antes destes novos possíveis roteiros. O primeiro lugar geral na classificação está ao alcance de uma vitória. Os tropeços dos outros oponentes nos propiciam a valiosa chance de consagrarmos a dianteira nesta primeira etapa da Libertadores. E o melhor: a definição será em nossa casa. O convite, portanto, nem precisa ser feito. Lugar de gremista (mais do que nunca), terça-feira, é no Monumental da Azenha. O horário, graças a quem (no exterior) possui os direitos de transmissão do torneio, não é dos mais convidativos para classe trabalhadora. Ok. Mas, seremos (com certeza) milhares a superar tal dificuldade para o inigualável prazer futebolístico de estarmos ao lado do Grêmio. Ombro a ombro em mais uma batalha, em mais um obstáculo a ser superado na busca convicta do desejado tricampeonato da América. No campo exigiremos o aguerrimento de sempre, desta feita contra os colombianos. Aquela combatividade que só a nossa camisa gloriosa pode inspirar. E das arquibancadas trepidantes do Olímpico não faltará nenhum apoio aos jogadores, ao competente Marcelo Rospide, ao solidário Mauro Galvão e a quem envergar e sustentar nossas cores. Na noite de 28/04, empurrados pela cantoria incessante, estaremos carimbando passaportes e nos aproximando (um pouco mais) deste pódio que nos leva a Copar o Continente.


Vamos Tricolor !!!

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

GRANDE PASSO (16/04/09)

O Estádio Nacional é majestoso, entretanto cinzento. Uma herança maldita insiste em impregnar aquelas localidades. A bestialidade de um regime militar transformou um palco privilegiado para o futebol num odioso campo de concentração. Por ousar pensar diferente seu país e o mundo, milhares de chilenos foram presos, torturados e mortos. Uma carnificina que banhou em sangue aquele gramado. Que deve ser lembrada sempre para que nunca mais ocorra. Bueno. Pinochet se foi, está no inferno (se é que não deu um golpe por lá e, a essa altura, já tortura até o diabo) e estamos no promissor século XXI. E na 50ª edição do Torneio dos Libertadores que, quando se trata de Grêmio, insiste em espirrar sangue em homenagem aos primórdios da competição. Desta feita tudo mais tranqüilo, é verdade. Santiago do Chile e “La U” nos receberam amistosamente. Bola rolando, normal, a estória é invariavelmente outra. Sem “regalos” no que diz respeito à disputa do jogo. Os locais tem uma equipe veloz, disposta, e uma hinchada que merece referência. E por isso, naturalmente, tomaram as iniciativas. O bom é que encontraram um tricolor focado e aguerrido. Mais do que isso. Uma equipe coesa (talvez inspirada na palestra centrada “na força do grupo”, do eficiente Marcelo Rospide) e que, desde o primeiro instante, disse a que veio: pela vitória! Correto que, também conseqüência desta lacuna no comando técnico, apareceram deficiências táticas. Problemas de marcação, zagueiros batendo cabeça, alas (igualmente pouco produtivos) sem cobertura e abrindo perigosas avenidas de acesso a goleira do Victor, um Jonas que parecia perdido nos deslocamentos e assim por diante. Igual, tivemos a felicidade de marcar ainda na primeira etapa com Léo, diante da ineficiência conclusiva dos donos da casa (que nos retribuíram, de maneira mais modesta bom frisar, a gentileza do festival de gols que perdemos no Olímpico) e o brilho extraordinário do melhor goleiro em atividade neste Continente Americano. No intervalo corrigimos alguns defeitos e, numa jornada redentora, o fechamento do placar com “El Tanque” fez justiça. E que jogada mortífera. Souza (jogando concentrado e com objetividade é imbatível), “de três dedos”, achou o argentino que num movimento de corpo desconcertou a marcação e abriu espaço para o “tapa” na pelota! Golaço que só mesmo a Globo não considerou o melhor da noite, preferindo “Rodrigo Pimpão” do Vasco. Que se danem. Importa que retornamos classificados e incrivelmente (frente aos problemas que enfrentamos) com a melhor campanha, neste momento, na Libertadores. Temos muito que, obrigatoriamente, resolver e melhorar. A definição do técnico é a prioridade das prioridades. Não pode mais ser postergada em hipótese alguma e não admite vacilos. Entretanto, demos o primeiro grande passo em busca deste Tri da América. Celebremos este triunfo na condição de protagonistas. Outros tantos (desde o rincão), corroídos pela inveja dilacerante, seguem como meros espectadores. E a uma distância quilométrica da imponente Cordilheira.

“Aonde estão ? Ninguém os vê ...”

Falar sobre a imprensa esportiva do RS é quase sempre indigesto. É tanta amargura que seria prudente ao leitor, ouvinte, espectador, se precaver com envelopes de algum eficiente antiácido efervescente antes de receber as notícias e/ou comentários. Existem honrosas exceções em todos os veículos. Uma minoria acuada, infelizmente, por um vasto contingente que tem por método preferencial a manipulação, a dissimulação e uma notória mediocridade. Não raro assistimos ataques virulentos, verdadeiras campanhas contra determinadas pessoas e instituições. A torcida do Grêmio, especificamente a Geral, foi de forma sistemática atacada pela mídia ressentida quando começou a ocupar espaços. Muito antes de alguns episódios lamentáveis (e também recheados de distorções) darem satisfação e subsídio justamente aos acusadores de plantão (sem moral alguma para recriminar quem seja). Existem também os boicotes permanentes e, no outro extremo, as exposições desnecessárias.

Dito isso. Qual o objetivo de um W.C. (que abreviatura mais cheia de significado) ao dedicar uma coluna inteira na ZH para alardear a “condenação” do Peninha (diga-se de passagem, com possibilidade de recurso) numa ação movida pelo arbitro Carlos Simon? Não vamos entrar no mérito do processo. Até pelo fato do sujeito que se achar ofendido ter a prerrogativa (a qualquer momento) de buscar a tutela jurisdicional, cabendo a outra parte fazer a sua defesa. E a contestação foi muito bem fundamentada pelos advogados do escritor tricolor. Mas, continuando a interrogação: qual o motivo em escancarar uma indenização de R$ 15.000,00 (e noticiado de maneira totalmente errônea num primeiro momento, quem sabe “distorcido pela isenção”) por suposta ofensa a honra do apitador? O texto foi todo meloso e envernizado. Porém, na essência, cumpriu com a finalidade de propagandear ao máximo a reprimenda e sanção do poder judiciário ao “amigo e colega querido”. O processo, todos sabem, arrasta-se há algum tempo e (lógico) diz respeito, mais do que a ninguém, às partes envolvidas. Ou algum dos lados estaria querendo publicidade desta questão (no caso o autor) de forma sorrateira? Não acredito. O que resta incontroverso é a exemplar atitude “ética” do rubro servidor da RBS em colocar na vitrine uma disputa judicial envolvendo um colega de profissão. Se pretendia divagar sobre os limites da liberdade de expressão ou algo do gênero (quem sabe tentando intimidar terceiros), o “professor” W.C. deveria ilustrar seu espaço no jornal com as próprias interpelações judiciais e processos a que respondeu e/ou responde (no âmbito esportivo) nos informando por quais motivações tramitaram/tramitam. Uma ou duas colunas, bem fartas, sobre cada número de processo todos os finais de semana. Seria educativo ? Sem dúvida. Mas, o verbo fica mesmo no passado. O que esperar de um fariseu?

Já disse antes e reitero: por medida profilática (e atendendo sábia recomendação, além de respeitar meu exíguo tempo no cotidiano), abandonei a leitura voluntária de certos “jornalistas” (leia-se: expoentes da amargura midiática). Wianey Carlet e sua hipocrisia, por exemplo, passam batido. Assim como o engomado David Coimbra que, tempos atrás, alardeava que “os cânticos da Geral do Grêmio” eram “racistas” (tem até um vídeo da TVCOM com este ataque para quem anda, digamos, esquecido). Defendia tal posição cretina com a mesma firmeza que lambuza gel no couro cabeludo. Agora, também no último final de semana (tomei ciência do conteúdo por conta da remessa do atento gremistão Dr. Henrique Azambuja), proclama (que novidade!!!) a obviedade do Grêmio ter a melhor torcida do país. Com o atraso considerável de alguns anos e não sem antes ter colaborado para denegrir a própria imagem dos que, com sua voz, fizeram e/ou fazem à força da Geral. Talvez em busca de alguma audiência, já que anda solenemente ignorado pela massa crítica torcedora, resolveu se derramar em elogios. Conseguiu seu feito. A ponto de (isso sim uma surpresa, e bastante desagradável) ter seu esperto adesismo e a cara de almofadinha postada no site oficial da banda com indicação de leitura do respectivo Blog no ClicRBS. Menos gurizada, por favor.

A propósito da relação equivocada e deteriorada da direção do clube com o principal segmento da torcida (e todos sabemos disso e comentamos, dentro e fora das arquibancadas, que o Grêmio é quem perde), não serão estes oportunistas os mais indicados a dar aconselhamentos e fazer promessas. Até pelo fato de, vamos combinar, ser demagogia barata. Agora, se o leitor gosta das “contribuições” destes indivíduos, fazer o quê ? Cada cabeça é mesmo uma sentença. No modesto juízo de quem assina este texto, são seres repelentes. Perfeitamente indicados para, num grande mutirão pela saúde, ajudar no combate a febre amarela e a dengue que (lamentavelmente) se espraiam pela Província de São Pedro.

Ainda sobre a imprensa. Coluna do Mário Marcos de Souza, prestimosa ZH 14/04 do corrente. “Imbatível. O Clássico Fla-Flu de domingo teve 72.000 torcedores, que lotaram o Maracanã e cantaram o tempo todo. Os cariocas continuam imbatíveis na paixão e na criatividade.”

Para encerrar. O insuperável/insuportável “Diário Gaúcho” (com a devida licença do nosso combativo Cacalo). Na segunda-feira, imprimiu um “outdoor” em sua capa destacando um “gol de letra” sobre a esforçada ULBRA que pena com salários atrasados desde janeiro. Jogo pela aldeia. Nesta quinta-feira, e Libertadores da América meu camarada, uma capa cadavérica e sensacionalista encobre um quadradinho que cita a vitória gremista e o gol de Maxi Lopez. Golzinho desses comuns. Compare nas fotos abaixo...

Não dá nada. Vamos em frente. Se todos estes amargos se incomodam é sinal de que estamos avançando. Avante Grêmio ! Vamos chegar! Queremos e teremos a Copa!

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

 

A RENOVAÇÃO (08/04/09)

Pode até ter alguma conotação bíblica. Quem sabe um destes sinais a indicar a redenção iminente, ou, simplesmente o momento marcado pelo destino para acontecer. Por sorte, os fatalistas não são a maioria nos estádios. Fiquemos, então, com o viés religioso. Num período que se relembra morte e ressurreição, finalmente sepultaram o Celso Roth ! E, por via das dúvidas, façamos um revezamento sentinela para que da tumba ele não saia. Embora saibamos que somente o Grêmio (clube literalmente extraordinário no qual acreditamos sempre), seja Imortal. Seguindo. Percebe-se, com isso, um efeito imediato: a renovação das esperanças gremistas nesta temporada. Afinal, sejamos francos, um pessimismo perigosamente contagiante se espraiava por parte considerável do universo tricolor. Não por nada, pois a cada insucesso acumulado mais desculpas esfarrapadas, ranços e, incrivelmente, inércia dentro e fora do vestiário. Resultado de uma tolerância inaceitável, o agora demitido falou às asneiras que bem entendeu (atingindo a hierarquia clubística, a torcida, jogadores) e fez o que pretendia empilhando ações desastradas. Tudo com breves intervalos, entre um sorriso cínico e outro. Respiremos. O fato é que a prolongada, desgastante e nefasta permanência do sujeito finalmente chegou ao fim. Com o seu preço constrangedor, evidentemente. Mais uma competição perdida e uma miserável performance nos recentes GRENADAS. O inominável desempenho na Taça Fábio Koff , aliado a nova derrota para um rival assumidamente borrado em nos receber, tornou definitivamente insustentável para o departamento de futebol o que já estava consagrado (de longa data) para massa torcedora. Eis aí o alerta: o clamor justificado de uma briosa e fiel Nação não pode ser tão demoradamente assimilado e atendido por seus representantes. “Antes tarde do que nunca” diria a Nonna, não sem antes esmurrar a mesa com o rolo de massa e pedir a Deus que ajude o Grêmio a manter suas avalanches e a Itália a suportar os terremotos.

O clássico. Após o arrastado jogo contra o São Luiz e o fracasso dos suplentes em Caxias, era impositivo ter atitude no aterro. E a pressão da torcida resultou numa apresentação digna, porém insuficiente para nos contemplar com o triunfo. E, vamos combinar, Leonardo Gaciba mereceu todos os elogios a sua progenitora. Nos sonegou uma penalidade escandalosa sobre Léo, marcou todas as faltas (invertendo várias) para o outro lado e aliviou algumas que nos favoreceriam. E ainda fez aquela compensação grotesca quando o garotinho “fica meu mel” cavou o empate. Igual, não foi o apito o derradeiro carrasco. Desperdício custa caro. Duas bolas na trave (Souza e Jonas), uma terceira retirada quase de dentro e um arremate sem goleiro que foi parar na nossa torcida. Adiante. Não vamos esmorecer. Em julho vamos ter a oportunidade de mais um encontro (aniversário de batizado) e, certamente, com um novo ambiente construído na transição que inicia.

Arquibancada copada. De acordo com o anunciado (e seguindo a rotina) a torcida gremista foi soberana no banhado. Nos fizemos ouvir intensamente, o que incomodou os espectadores locais. Comandados por um alto-falante e regidos por um telão, se resumiam a tentar responder aos cânticos gremistas incessantes. De um lado, o alento inigualável. Do outro, descontração e um estádio tomado por fãs do finado Fred Mercury (a exceção foram cerca de três mil honrados visitantes) imitando borboletas no ritmo de uma gravação. Deprimente, mas risível. Apesar do resultado adverso de campo e naquele clima de assembléia (todos conversando, discutindo o futuro imediato do Grêmio) que tomou conta dos tricolores, ainda na esfarelada arquibancada FIFA, um consenso havia: a platéia do co-irmão é sempre muito divertida.

Presença ilustre. O impagável Peninha Bueno representou os carismáticos Blue Brothers. Grande figura. Esteve junto à torcida na marcha (a maior do final de semana nesta capital, a coluna tem plena convicção) rumo ao aterro.

A propósito da caminhada: o que se passa na cabeça (não ouso dizer "mente") de alguns brigadianos ? Alguém explica o motivo (como se fosse possível justificar) daquele disparo efetuado para o alto bem defronte a concentração de torcedores formada pela escolta, em pleno Parque Marinha ? Até quando tanto despreparo ?

A busca da Copa segue nos mobilizando. Mal se passaram 48 horas e mais de 30.000 gremistas conseguiram chegar ao Monumental, driblando um horário inapropriado para quem (esmagadora maioria) cumpre um expediente e está na batalha do dia-a-dia. A devoção superou com folga às dificuldades e mais um espetáculo fez trepidar a casa de todos os gremistas. Goleamos os modestos e esforçados bolivianos e nos encaminhamos para classificação. Na sequência o calendário nos contemplará somente compromissos pela Libertadores. Na próxima semana vamos ao Chile e, na saideira do mês teremos os colombianos em Porto Alegre. Há todo tempo para uma retomada e toda confiança que chegaremos ao estimado objetivo. Quero ver-te campeão, brada a multidão que vai apoiar como em todos os anos !

Esperamos um técnico, não somente um treinador. E, por certo, isso não é uma questão semântica. De preferência com esta identidade, este DNA combativo e copeiro do Grêmio. Portaluppi bem que poderia ser o nome. Disparado, é o eleito da torcida. Enfim. Todos na expectativa que a escolha a ser feita seja o melhor para o Grêmio.

Na segunda-feira (06/04) a Escolinha do Grêmio completou seus 40 anos formando atletas e cidadãos. Garimpando talentos e talhando estas descobertas com trabalho sério e dedicação, estamos garantindo o futuro da nossa gloriosa instituição. Parabéns. A festa está só começando.

Educação. Não é por ser alvi-rubro que não saudaremos. Parabéns ao Bangu Atlético Clube pelos seus 105 anos de existência. Desde 1995 temos uma enorme simpatia (no RS chegou a ter um quase homônimo, o famoso "banguzinho") por este “club” fundado por ingleses numa fábrica em solo tupiniquim. Sua trajetória proletária é coerente. E, o mais importante: ESTA SECULAR INSTITUIÇÃO JAMAIS TEVE DÚVIDAS SOBRE SUA PROCECÊNCIA. Merece respeito.

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

JAMAIS TEMER (04/04/09)

O que parecia difícil de ocorrer, aconteceu: uma campanha pior neste atribulado segundo turno do formulista e acariocado campeonato Gaúcho. Mas, ficaremos por aqui. A retrospectiva destas últimas duas (a de quinta-feira inominável) partidas fica postergada para semana vindoura. O fato objetivo e desafio confirmado para o dia de amanhã é mais um GRENADA na beira do lago. Novo confronto com o velho e ressentido vizinho. O jogo acabou sendo antecipado pelas confusas estratégias gremistas. Tudo bem. Vamos aos costumes. Afinal, não tememos enfrentar os arrogantes da Padre Cacique e sua equipe de gazelas velocistas. Coparemos o aterro (que anda envolto em apoteótica atmosfera) e nos faremos ouvir antes, durante e depois da visita. Nada cala o sentimento da maior e melhor torcida do Rio Grande. A que faz Escola e reprova a totalidade dos candidatos a discípulo que não tem a sabedoria (e o bom gosto, convenhamos) de trajar o azul, o preto e o branco. Como é de praxe iremos, desde a carcomida localidade (um brete) que nos destinam, comandar as arquibancadas e tomar a lição dos alunos displicentes cujo triste e repetido destino é a reprovação. Por outro lado, exigimos (com autoridade) de todos (dirigentes, comissão técnica e jogadores) o mais devotado empenho neste enfrentamento. Isso começa tendo vergonha na cara, respeito pelo povo tricolor e plena consciência da enorme responsabilidade em obter um resultado positivo neste clássico. O torcedor que apóia em toda e qualquer circunstância (nos bons e maus momentos) não espera nada menos do que a vitória. Gana para vencer e bravura em cada lance da disputa. Somos o Grêmio, caralho ! É da nossa gênese, da nossa honrada tradição a superação e o triunfo. Somos o clube das façanhas. Das jornadas épicas e inesquecíveis. Neste 04/04 que amanheceu e permanece com o céu celeste, a cada hora que passa diminui o agito e os ruídos incompreensíveis que partem da região banhada do Menino Deus.

Os vizinhos sabem. Estamos chegando.

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

 

MENOS, BEM MENOS (02/04/09)

A putiada de Celso Roth em Douglas Costa no treino de ontem transcritas por um repórter deixou muita gente estarrecida. Para os mais ingênuos foi a descoberta do terceiro segredo de Fátima: Treinadores gritam com os jogadores. Inclusive com os mais novos. Das palavras proferidas que ofenderam a velhinha de Taubaté e outros puritanos não há muito que discordar. Sondagens do exterior, matérias especulativas e a pressão da torcida gritando seu nome substituem o foco pelas nuvens, irremediavelmente, na cabeça de qualquer jogador de 18 anos. Criam a falsa idéia de que estão prontos e a determinação perde lugar para vislumbres de mansões para a mãe, carros e atrizes globais. Essa é armadilha onde promessas se estragam e nunca mais se cumprem.

Quem percebe esse desvio de metas no dia a dia e tem toda a responsabilidade em corrigir é o treinador e a dureza das palavras é proporcional ao talento e potencial do jogador. Não é com palavras doces e obséquios que se coloca um trem de volta aos trilhos. “Você acha que sabe tudo, mas não sabe merda nenhuma” funciona melhor que “Jovem, desculpe interrompê-lo, mas percebo que está equivocadamente convencido de ser dotado de toda sapiência, portanto é meu dever lhe revenir de que, todavia, este conhecimento é exíguo”. Não, não é com essa paciência que fala uma Bomboneira lotada em final de Libertadores.

Claro, foi um prato cheio para o sensacionalismo. Mas ainda era preciso pegar o depoimento da “vítima” do facínora insensível cruel e impiedoso Celso Roth. Talvez uma resposta forte como “feio, chato e bobo”. Não houve, pois Douglas Costa sabe que esse tipo de cobrança e linguajar é tão comum no futebol quanto a bola. O jornalista, experiente e velho de guerra também sabe, mas tudo é motivo para uma boa manchete. E esta vai encontrar um público facilmente manipulável e sedento por escândalos e crises. Mesmo que estas precisem ser criadas dentro de redações e cabines de imprensa.

Se Douglas Costa for vítima de algo, será da mão passada na cabeça.

Cristian Bonatto

 

 

 

 

 

EL POLLO (27/03/09)

 

Desta feita não houve incidente diplomático. Não foi apresentada nenhuma reclamação (ou denúncia antecipada) de um suposto clima hostil a nos aguardar. Portanto, Evo Morales pôde seguir preocupado somente com as refinarias e não necessitou ordenar a seu exército que cercasse e sitiasse a delegação do Grêmio em resposta a alguma eventual bobagem pronunciada. O prudente silêncio de um dos nossos dirigentes foi à garantia inconteste para uma estadia serena em território boliviano. Ao menos até começar o desafio no gramado (e aí, até para bater escanteio teve policiamento protegendo). Com pulmões experimentados e devidamente oxigenados enfrentamos nova altitude e um adversário destinado a ser um dos sacos de pancada desta competição que nos mobiliza e faz disparar os batimentos cardíacos. Alguém imaginava placar elástico? Quem sabe uma apresentação faceira que mantivesse o brutal equívoco da prensa bolivariana (isso sim uma ofensa digna de resposta militar) em nos caracterizar como “equipe carioca”? Não esta coluna. Até pelo seguinte: “nada é fácil para o Grêmio, tudo é sofrido” (acrescentaria: notadamente quando o próprio Grêmio não se ajuda). Tu já ouviste esta frase dezenas de vezes. E a mesma é uma sentença fundamentada por fatos históricos e, portanto, incontroversos. É da nossa gênese conseguirmos os maiores triunfos na base da mais estupenda e memorável superação. Ok. Voltemos a Cochabamba, terra andina onde os feitos da história do Grêmio e do arqueiro local serão cantados ao som de “charangos” e do mascar das folhas de coca por muitas gerações. Era tudo ou nada para o time local. Na verdade quase nada, vide a pelota murcha dos que também trajaram azul (não honrando esta bonita cor). Saímos pra cima decididos a liquidar a fatura logo e descer a cordilheira com os três pontos. Criamos, mas na decisiva hora da conclusão voltamos a falhar clamorosamente. Inúmeras oportunidades para liquidarmos os oponentes, ainda na primeira etapa, foram perdidas. O gol de Jonas (com Alex Mineiro mais uma vez trabalhando como garçom), antes do intervalo, premiou o esforço e amortizou o desperdício. Sua expulsão (revidando uma agressão), curiosamente após Tcheco começar a ter seus acessos dispersivos e também enervantes, preocupou a gremistada. Sofremos a igualdade quando, no lado oposto do campo, nosso garçom deixou cair à bandeja na grama. Tudo se encaminhava para um frustrante empate (com Celsinho colocando Makelele, nosso maratonista cheio de energia, aos 40 minutos da etapa final). Mas eis que, finalmente, surgiu a Aurora. Um sol “quechua” em plena noite boliviana. Tcheco bateu uma falta de maneira amistosa, quase sem força. O goleiro celeste, este sim um legítimo Hermano, aceitou e bem no meio das canetas! Redonda no barbante e... Goool do Grêmio! Alegria da Nação Gremista! Mesmo naquele momento de euforia lembrei de como é importante ampliarmos e fortalecermos o Mercosul. Igualmente recordei do triste encerramento das atividades da AVIPAL no RS e das razões que levam gente ingrata a aposentar um guarda-metas eficiente tipo o saudoso Clemer. O Sílvio Dulcich é argentino e, possivelmente, tem no Pollo (quem sabe com papas) um de seus pratos preferidos. Que Bueno. Foi a receita perfeita para retornarmos com a vitória.

André Krieger disse, ao terminar o jogo, que de certa forma o frangaço do goleiro adversário seria “um marco inicial para um novo momento” do Grêmio. Mesmo compreendendo o contexto da manifestação, penso que não é o melhor parâmetro. Por favor. Nosso ponto de referência (dentre outros) para chegarmos ao principal objetivo da temporada é a correção imediata destes desperdícios ofensivos. Não poderemos contar a todo instante com algo inusitado para vencer os desafios. Nossa falta de competência nas finalizações não pode ser entregue a sorte ou a ruindade alheia. Contra a ULBRA em Canoas, numa escaldante tarde e num arrastado jogo (com direito a cerveja quente no estacionamento), chegamos a perder um lance capital por uma camaradagem vacilante. O Grêmio precisa criar incessantemente e não deixar de converter, pois logo adiante a Libertadores afunila. Elementar. E neste espaço já lembramos que no Monumental temos potentes refletores para trabalhar a exaustão finalizações, não ensejando (por certo) algum adicional noturno a graúda folha de pagamentos. Ansiedade pode muito bem ser tratada com ansiolíticos, mas melhor ainda se for com a bola na rede.

Mistério. O co-irmão esperou um século para ter um ônibus personalizado (já batizado por moradores de Sapucaia, segundo notícias), mas o mesmo chegou incompleto. Assentos do “Morangão” foram retirados para “dar mais espaço” e conforto a atletas que costumam ser muito afetuosos em aeronaves (assim atesta vídeo recente e de muito sucesso - clique aqui e aqui para ver) e não se desgrudam em viagens. Por modéstia, ninguém assume a autoria da providência, mas especula-se ter partido dos próprios dirigentes rubros. Total coerência, pois com as novas contratações (chegou o irmão do descontraído Richarlyson) é necessário uma abertura maior nos fundos do coletivo.

Epitáfio. Morreu Clodovil Hernandez, sujeito que certa feita pronunciou ser “o vermelho uma passarela cintilante para vida”. Faleceu na condição de Deputado Federal eleito pela consciência e frescura de milhares de paulistas e paulistanos. Na dúvida sobre qual seria o melhor local para seu sepultamento (a generosa São Paulo ou a pomposa Brasília), teve seu último desejo atendido: foi, agora literalmente, enterrado no Morumbi. Sob o aplauso e lágrimas dos bambis. Que descanse em paz.

Comemoração. Em homenagem ao “The Bobos Day” a capital dos gaúchos receberá a peso de ouro, diga-se de passagem, a seleção “canarinho”. Comandada por um dos preferidos da Branca de Neve, hoje empregado do Sr. Ricardo Teixeira, o “scratch” nacional enfrentará o selecionado do Peru. O evento é praticamente beneficente e busca ajudar a FGF (e também a pobre CBF) a sanar suas inúmeras dificuldades financeiras e, evidente, colaborar com as crianças carentes. A partida deste primeiro de abril, bom não esquecer, será realizada num aterro que é a legítima piada citadina. Se tu não és gremista, é imperdível! Não deixe de participar!

Homenagem justa. Hoje gremistas estarão celebrando o aniversário do estimado presidente Hélio Dourado. O que, de fato e de direito, acrescentou a palavra Monumental ao valoroso Olímpico. O sujeito que deu um basta ao período de efêmera hegemonia do futebol bailarino na Província e, mais tarde, desbravou os caminhos para que conquistássemos a América e o Mundo. Vai ser no restaurante Copacabana, aquele mesmo em que o Lupi (no guardanapo e na caixinha de fósforos) eternizou em versos o seu amor pelo Grêmio. Ao agradecermos o convite, fica registrado o nosso abraço.

Aniversário de todos. Na saideira de março, Porto Alegre com 237 anos. Destes, quase 106 orgulhosamente representada por um clube que também representa o Rio Grande pelo planeta afora. Parabéns. És sempre demais.

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

UH, TRICOLOR! (20/03/09)

É o que a torcida pretendia. Pronta e imediata recuperação no campeonato da Província. De preferência de maneira impositiva. Não se pode esperar nada menos dos profissionais gremistas, do que a efetiva responsabilidade com todo e qualquer compromisso, todo e qualquer desafio (e isso não cansaremos de repetir). Iniciamos em São Léo com um mistão recheado por três zagueiros e três volantes contra um esquálido oponente. Mas, quem entrou se multiplicou em campo e foi em busca do resultado. Não faltou disposição e o gol de Makelele (numa arrancada digna de pista atlética), ainda na primeira etapa, selou a vitória. E por alí mesmo poderia findar a partida, pois no tempo final a ordem foi “administrar” o resultado. Causando natural frustração para quem pagou ingresso caro (R$ 30,00 foi mais uma garfada no bolso dos tricolores) e queria bola rolando para frente e não para os lados. Tudo bem, ganhamos. Saímos do Cristo Rei para reencontrar um velho freguês citadino. O glorioso Zequinha, em 135 confrontos, perdeu 101 para o tricolor. E balaio de gols também não é novidade. Iniciamos decididos, marcando com Tcheco e com um ímpeto de fazer avante bater cabeça. Tudo enquanto a galera ainda entrava no estádio. No transcorrer, o aguerrido Jonas aproveitou para dedicar um gol aos espanhóis e outro aos descrentes (com direito a perder um terceiro em homenagem aos corneteiros). Dentro da normalidade, amassamos. A única diferença, de uns anos para cá, é que o time da Zona Norte se transformou numa filial (geriátrica) da Padre Cacique. Do treinador a maioria dos comandados. A começar pelo seu bolorento “patrono”, “presidente honorário”, seja o que for. E a grande, notadamente inchada e obesa, estrela zequiana é mais uma das “legendas” dos rivais abandonada à própria sorte. Na noite do seu aniversário, após iludir-se com uma gentileza da defesa gremista (e imaginar uma comemoração regada à aguardente), recebeu o verdadeiro presente: alguns pontapés, vários dribles desconcertantes (destes de entortar a coluna) e meia dúzia de tentos. O povo gremista só não cantou parabéns pelo fato de não ter bolo. Compreensível. Não seria etilicamente prudente soprar velinhas no gramado. Risco de combustão. E, bom lembrar, as obras da nossa ARENA ainda nem começaram.

Quem disse que pressão (realizada no momento e local apropriado) não dá retorno ? A insurgência da Nação Gremista está fazendo com que o teor de alguns pronunciamentos (mais recentes) no clube se modifique quase substancialmente. E, fundamental: percebeu-se um rompante de ter e cobrar atitude naqueles que tem a honrada tarefa de conduzir o Grêmio a novas glórias neste 2009. Ainda é tímido, mas é um avanço. Não suficiente, é verdade, para nosso soberbo treinador (que quando finalmente cede, no calor da expectativa e exigência das arquibancadas, dá entrevistas alardeando que pretendia “fazer média com a torcida”) parar de falar asneiras (até quando?) e se concentrar única e exclusivamente nas suas obrigações. A propósito, Maxi Lopez fez a estréia em casa e anotou o seu gol. Pelos relatos tem se esforçado tremendamente para render o melhor nas competições e demonstrou humildade para colaborar com o grupo. Além disso, tem plena consciência dos desafios e da grandeza do Grêmio. Que nos ajude a erguer os troféus que almejamos.

Camisas. Impressionante a aceitação das duas novas camisas do Grêmio. Também gostei. Não por acaso, o manto sagrado titular voltou a ostentar sua identidade na configuração das listras e na tonalidade do azul celeste. A outra, alternativa (e aí com plena liberdade para os fabricantes inventarem), em azul e branco e com listras horizontais chama atenção. O preço de ambas é bem elevado para o padrão da massa (o que empurra muitos para chamada “pirataria”) , igual vende bastante. O que não dá para entender é o motivo por se achar no comércio formal (e não estamos falando de ambulantes, bom frisar) estas mesmas duas camisas por valores menores (não só na capital, mas em Bento, Caxias, etc.) do que os praticados na GrêmioMania do Olímpico. E, vamos combinar, além de uma linha de camisas “similares” (como fazem os Europeus, por exemplo) e mais acessíveis ao orçamento da gremistada, sócio em dia poderia ter um desconto maior em todos os produtos oficiais, não é mesmo ?

Ainda sobre camisas. Neste site (ali quando tu clicares “últimas atualizações”) tem a indicação do material produzido pela turma do site Grêmio Copero e que está realmente muito bacana. E a Geral do Grêmio (www.geraldogremio.com.br) está fazendo uma campanha de arrecadação, também via venda de uma camisa própria (podes pedir pelo site da Geral ou adquirir diretamente no Faísca). Além disso, está rolando a rifa de uma camisa oficial autografada pelos jogadores do atual elenco. Quer ajudar mais a esta gurizada? Então, te liga: já começou a campanha de arrecadação de papel picado, bobinas e sinalizadores. Tudo isso para que a melhor torcida do país prossiga fazendo história.

Domingo tem Avalanche em Canoas e na quarta-feira subimos a Cordilheira para continuarmos nesta busca incessante pela Copa. Vamos Grêmio !!!

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

SEGUIR ALENTANDO! (12/03/09)

Ainda não foi a redenção, mas vencemos. O que todos exigíamos e aguardávamos aconteceu: superamos a modesta equipe do Boyacá. A comentada altitude não foi obstáculo para um Grêmio bem preparado fisicamente e que teve disposição desde o primeiro momento. Os adversários praticamente não jogaram e o tricolor teve o domínio das ações criando e também desperdiçando inúmeras e inacreditáveis oportunidades. Na primeira e na segunda etapa tivemos bola na trave, mano a mano e até goleira escancarada para marcar. O incrível lance protagonizado pelo Jonas é a ilustração perfeita desta pressão enfartante que não resultou na rede estufada e levou a gremistada quase ao colapso. E numa competição destas a displicência e a imprecisão nas conclusões, caso não seja superada, costuma cobrar muito caro. Ok. De novo bastante afobação, uma intranqüilidade dos bastidores e tal. Só que precisamos aprimorar, pois o volume e a quantidade de situações de gol assemelhou-se a produção da estréia contra os chilenos. Menos mal que, numa abençoada bola parada, não tivemos o mesmo desfecho no placar. A vitória, além de necessária, foi justa e nos livra de novo constrangimento. A valorizamos imensamente, mas sem ufanismos. Fizemos a nossa obrigação enquanto clube grande e com tradição diante de um oponente frágil e com pouca expressão (embora bem superior ao implacável União Rondonópolis). O desafio é, daqui para frente, manter sempre a combatividade e treinar exaustivamente para uma imprescindível eficácia nas finalizações. Que passem, nos intervalos que existem entre os jogos (e eles até são generosos em muitos momentos, acredite), à noite e as madrugadas se preciso, praticando e aperfeiçoando fundamentos, exercitando arremates, ensaiando jogadas. Ganham muito bem para isso, estão num clube com uma estrutura e um suporte invejável e ainda trabalham (a princípio) com o que gostam. Uma torcida apaixonada, devotada e fiel como a nossa não aceita outra postura que não seja de entrega total e plena dedicação aos objetivos do Grêmio. E isso não é favor, é obrigação dos profissionais que vestem e representam as nossas cores.

E o clima? Aquela chuva fina, agourenta e ameaçadora, que nos acompanhou durante a partida no planalto colombiano foi soprada pelo gol de Souza e pelos ventos andinos. Que assim seja com o restante da nebulosidade. Queremos a plena recuperação, a afirmação e a bonança.

Desembarcamos em Porto Alegre sem a necessidade de trazermos junto os cilindros de oxigênio (lá mesmo praticamente sem serventia) que nos fizeram companhia no “La Independência”. A tensão crescente dos últimos dias, sem dúvida, foi amenizada. No aeroporto, mais cumprimentos e palavras de apoio do que no embarque. Ainda em território estrangeiro, nosso treinador não se continha na sua faceirice. A descontração que beirou a euforia denotava o alívio de quem teve uma espécie de suspensão temporária da execução justamente a caminho da guilhotina. Gostaria de ver, ouvir e sentir uma exaltação (pelo resultado) ligada diretamente à retomada da meta de classificação e pelo sucesso nesta Libertadores. Pareceu mais uma comemoração pela manutenção do emprego. Além disso, repetiram-se as cansativas e inaceitáveis desculpas da quase impossibilidade de lutarmos paralelamente pelo campeonato regional. E, de tão constrangedora e descabida tal manifestação, surge agora à notícia que o grupo de jogadores está querendo disputar e ganhar o torneio da Província. Responderam a desmotivação permanente do comandante da comissão técnica com sua mobilização espontânea. Tudo transcorrendo enquanto o respeitável corpo dirigente do clube acompanha complacentemente a todo este descompasso no vestiário. Não surge uma voz de comando que imponha a um Resmungão Roth um “por que não te calas?”. E poderiam acrescentar: "pare de reclamar e vá trabalhar (disseste que não consegues treinar há mais de 30 dias, isso é até motivo para “justa causa”)! Afinal, tens a obrigação de ganhar o que vier como desafio imediato e não interessa o adversário, não interessa a competição, pois estás no GRÊMIO ! Estas no GRÊMIO, caramba!"

A posição de desconforto da torcida (esta mesma que segundo o treinador “não entende”, “quer ganhar tudo”, “vive da cultura do resultado”) perante tais circunstâncias foi mais do que fundamentada e externada. Os dirigentes, na contramão deste vasto clamor público, seguem com sua aposta. Cabe a nós seguir apoiando o GRÊMIO, como tradicionalmente fazemos, sem nenhuma hesitação. Acreditamos sempre no Imortal, na sua história, na sua trajetória copeira e somos os que integram a grandeza da sua gente. Seguiremos abafando vaias com o nosso aplauso e alentando intensamente ao tricolor nos embates que se aproximam. Porém, não esqueçam de retribuir com o devido respeito. Não é pedir demais.

Neste site estão postadas fotos da localidade de Tunja. É o famoso “eu te sigo a toda parte” da Nação Gremista. Ao contrário do que previa um dos diretores do clube (que depois passou se explicando: do Embaixador da Colômbia ao comando das FARC, passando pelo Papa) não ocorreram hostilidades. Pelo contrário. Um povo hospitaleiro e que teve na recepção ao Grêmio um motivo para festa e celebração. Domingo a massa gremista se reencontra em São Léo (atenção Vale dos Sinos) contra o Sapucaiense e na quarta-feira tem o Zequinha no Monumental!

Vamos Tricolor !

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

 

TEMPESTADES (06/03/09)

O desconforto permanece. São dias cinzentos e agitados pela gloriosa região da Azenha. E, ao que tudo aponta, a previsão meteorológica indica a seqüência da instabilidade. Não é nenhum ciclone que avança pelo oceano, contudo, a razão para tal circunstância. A nebulosidade (que se espalha perigosamente) concentra-se sob o sujeito que deveria comandar com inteligência e bravura o vestiário tricolor. Mas, que nada. O cara não aprende e, pior, não assume nada. É mais confortável se eximir e agir de forma desrespeitosa perante a torcida, insolente frente aos dirigentes e antiética junto aos seus próprios jogadores. Definitivamente, a paciência e a boa vontade se esgotaram. E a responsabilidade é toda deste que, escorregadio, além de carecer de brilho prefere a formação permanente de nuvens carregadas. Vapores condensados por incapacidade, arrogância e medo. O povo gremista, neste começo de março, vive um misto de incredulidade, irritação e tensão pelo que se passou e, principalmente, pelo que ainda pode advir. Expectativas otimistas estão se transformando na certeza de que, se não forem tomadas providências imediatas, nosso principal objetivo neste semestre estará comprometido. Reafirmamos que na Libertadores temos toda condição de classificar e que, ainda, não se “complicou” o seu desenrolar. Contudo, as irresponsabilidades praticadas no GRENADA são alarmantes e já foram por demais comentadas desde o fatídico domingo. Há um consenso gremista elementar sobre as razões de novo fracasso perante os que, dias antes, haviam apanhado do "temido" União Rondonópolis (e, no retorno, com os calções nas mãos se classificaram). Uma obviedade demolidora explica esta seqüência de insucessos nos clássicos. Até o mais amargo e oportunista integrante da imprensa vermelha não consegue esconder que temos perdido (mais do que tudo) para nós mesmos. No final de semana, estivemos acanhados, irreconhecíveis e graças aos receios e às confusas intervenções do Sr. Celso Roth. Na quinta-feira à noite, cercado por uma quase unânime e inevitável hostilidade, fraquejou diante do esforçado Ypiranga de Erechim. É dose. Mas, o mais inacreditável é esta falta de autocrítica, esta prepotência de fazer de conta que os equivocados, na verdade, somos todos nós. Afinal, somos limitados, tacanhos, e não conseguimos enxergar no médio e no longo prazo a eficácia das suas mirabolantes teses e da sua notória “genialidade”. Seria cômico se não fosse trágico e, também, extremamente preocupante. Pois o que nós gremistas constatamos, desde a saída indignada do aterro até o momento de digitar estas linhas, é que a presunção segue lépida e faceira (com ares de cinismo) pelo Estádio Olímpico. E nossa direção (até quando?) segue anestesiada e se furtando dos movimentos cirúrgicos que precisa realizar. Não há mais clima, não existe mais ambiente. Seja na casamata, seja na arquibancada. O leitor, toda torcida gremista e a coletividade futebolística do Estado perfeitamente o sabem. As estatísticas dos fracassos e a total ausência de atitude diante dos mesmos (esta megalomania rothiana de não assumir minimamente os erros, de fato, impressiona), nos aproxima de um indesejado impasse. Nesse sentido, é urgente agir e romper com a estagnação e as desculpas esfarrapadas. Pois quem observa o gramado e também mira os cêus pelas bandas do Monumental não tem nenhuma dúvida: prosseguindo a onipotência e a omissão, virá também mais turbulência, acompanhada por raios, trovões, e bastante granizo. A tempestade é uma manifestação da natureza. Desta nossa natureza humana que, transbordando, costuma ser como as enxurradas que derrubam tudo pela frente.

No primeiro semestre de 2008, após as desclassificações no Gauchão e na Copa do Brasil, o conflito se transformou num confronto aberto que envolveu a nós torcedores, seguranças do clube e policiais militares. Um protesto pacífico acabou com bombas de efeito moral e balas de borracha. Uma covardia denunciada fortemente por esta coluna. Isso já faz quase um ano. Logo em seguida, André Krieger pediu calma e resolveu arriscar. Mesmo com total oposição, manteve a comissão técnica. É um dirigente idôneo e sabemos que busca o melhor para o Grêmio, mas há de considerar que a prudência excessiva, às vezes, é o combustível que detona as piores explosões. Sejamos francos: venceu o prazo de validade do Sr. Celso Juarez Roth no Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. O departamento de futebol não pode mascarar esta realidade, sob pena de conivência com mais um acachapante revés.

Neste espaço, mesmo enquanto não se resolver à questão concernente ao nosso desgastado treinador, não propagaremos campanhas do tipo “boicotar os jogos”, “não comprar produtos oficiais”, “vaiar incessantemente” dentre outras que surgiram. Obviamente não temos acordo em relação a tais encaminhamentos. O Grêmio, repetimos, sempre acima de todos: dirigentes, treinadores, jogadores, grupos de torcedores, o que for. Todos passarão e o que fica e deve permanecer é o sentimento. As reivindicações e os protestos devem ser feitos, lógico. O pátio do Monumental não só pode como deve ser ocupado para manifestações legítimas da massa gremista. Que cada tricolor analise bem qual a melhor forma, o momento e o local para expressar sua justa indignação. Não esquecendo que, na cancha, o alento jamais pode cessar.

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

 

VAMOS TRICOLOR, QUEREMOS A COPA! (28/02/09)


Foram meses, semanas, dias e segundos da mais pura expectativa até a estréia. Normal que uma ansiedade por triunfar tenha trazido afobação e desperdício de inúmeras oportunidades. Mas tivemos também or triunfar tenha trazido alguma afobaçe que mescla juventude er um afortunado goleiro oponente e um infeliz apito charrua a colaborar para que a bola não estufasse as redes. Entre penalidades sonegadas, bolas na trave, adversários salvando na linha e bate e rebate ficamos no indesejado zero a zero. Os chilenos festejaram e resumiram o embate de Porto Alegre como “um ponto que valeu ouro” e reconheceram que sua equipe viveu momentos de “terror” nos pagos gaúchos. Foi, de fato, massacrante. Dominamos, tivemos posse, agressividade, mas, na derradeira finalização pecamos. A equipe foi aguerrida e (reconhecemos) também graças à entrega dos visitantes, tivemos um típico jogo de Libertadores (competição que, aos poucos, se recupera da péssima imagem de 2006 marcada por afanos e frescuras)! Peleja e das boas! Apresentamos organização, velocidade e, sobretudo, dividimos todas, ninguém aliviou na chuteira, meu camarada. Teve carrinho na bandeirinha de escanteio e andino quase arremessado na pista atlética. Ok. Faltou o elementar também para esta pragmática coluna: o golzinho, a vitória, os três pontos. Desejados e valiosos pontinhos que nos dariam mais fôlego para o ar rarefeito que nos aguarda logo em seguida, nesta necessária escalada do continente. Mas, sem terra arrasada meus amigos. Correto o experiente Souza de lembrar aos seus pares à imposição de vitórias em casa. Porém, nada sustenta minimamente a excitação da amargura midiática que (mal o jogo findado) proclamava o seguinte: “agora complicou”. Por favor. E são sempre as mesmas figurinhas carimbadas. A melhor resposta que podemos oferecer a todos estes secadores de plantão (assumidos ou não) é manter a pegada e caprichar nas conclusões. Buscar seis pontos em terras bolivianas e colombianas e, mais tarde, fazer o resgate do aqui perdido em Santiago. Avalanche pela Latino América afora e conquistar o Tri. Nós acreditamos. Somos gremistas e queremos a Copa. Vamos Tricolor !!!


Após o treino ante um combalido Juventude, escalamos novo time recheado de suplentes e com a seguinte missão: honrar nossa camisa e se redimir do resultado do primeiro encontro ocorrido na Serra contra o Veranópolis. A rapaziada fez a sua parte numa revanche marcada pelas omissões do apito e por um futebol também burocrático. Reinaldo nos levou adiante e chegamos a final desta sensacional “Copa Ô Balance”. Bueno, teremos o desfecho da primeira fase desta acariocada competição bolada pelo Sr. Noveletto (com a infeliz chancela de todos afiliados da FGF) no apropriado e carcomido palco da Av. Padre Cacique. E, sendo GRENADA, queremos obviamente ganhar dos rivais custe o que custar. Sou a favor de força máxima, titulares, tacinha ganha e arremessada para Geral (e, depois, atirada ao Guaíba). Alguém dirá que não vale a pena expor nossos mais destacados jogadores basicamente por risco de lesão e tal. Justo. Só não posso aceitar nosso treinador (desde já) saindo pela tangente e se escondendo de suas obrigações (de ganhar sempre e o que for – especialmente um clássico) quando se dirige um clube da grandeza do Grêmio. Falar em “desgaste psicológico” (esta é muito boa) e seguir resmungando pela seqüência de partidas em nada mobiliza o plantel. Pelo contrário. Então o seguinte, preste atenção Celso Roth: faça jus ao seu fabuloso salário, encare todo e qualquer desafio e pare de despejar desculpas antecipadas. Só assim para ficar a altura das nossas maiores ambições neste 2009. Cobramos e vamos cobrar forte, pois apoiamos sempre.


O que dizer das arquibancadas na partida contra “La U”? É o que todos queremos prezado leitor: contagiando todo o Monumental, pulsando e empurrando o Grêmio para cima dos adversários. A cantoria incessante (e que ainda pode ser mais forte) e aquele apoio incondicional que só os gremistas podem propiciar. Que ninguém esqueça, principalmente depois dos episódios recentes: apoio incondicional. Acima de tudo e de todos o clube, a instituição gloriosa e esta camisa mística e multicampeã. Pensar primeiro no Grêmio e nos seus desafios é a chave e o caminho para alcançarmos os objetivos desta temporada. E basta desta estupidez de rivalidades internas e hostilidades entre facções. Nossa casa é ampla e pode e deve comportar a todos os gremistas. E que se agrupem onde bem entender. Seja na Geral, nos dissidentes da agora autodenominada “Velha Escola”, nos chamados “organizados” ou não. Não há sentido e tempo para atritos. É assim que devemos nos dirigir ao aterro neste domingo: focados somente em ajudar o tricolor. E que os dirigentes respeitem e valorizem na prática (ainda há tempo) a todos os sócios, a todos os torcedores. Principalmente os anônimos e valorosos e que se fazem presentes nas boas e nas ruins.


Pretendemos nosso Carnaval mais próximo do meio do ano, via campo, e cantado em português e espanhol. De qualquer modo um registro rápido: impressionante o que aconteceu em Porto Alegre e revoltou os que gostam da folia das Escolas de Samba. Um regulamento violado e desconsiderado. Infrações “perdoadas” e prejuízo direto para toda uma comunidade na Zona Norte da cidade. O carnaval tem esta natureza zombeteira, e todo enredo tem o seu elemento de farsa. Mas, até mesmo as caricaturas têm o seu limite. Não se pode abusar.

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

 

DAVID COIMBRA E COMO NÃO SER UM BOM JORNALISTA (POR CARLOS JOSIAS)

EVIDENTE QUE TODO O CRÍTICO TEM O DIREITO DE, CLARO, CRITICAR. E POR ISTO PODE GOSTAR OU NÃO DESTE OU DAQUELE MÚSICO, DESTE OU DAQUELE ATLETA, DESTE OU DAQUELE ATOR, PINTOR, ENFIM. NUNCA ME PARECEU JUSTO E ADMISSÍVEL, CONTUDO, QUE - PARA PEGAR O EXEMPLO DO QUE MAIS GOSTAMOS - O FUTEBOL - UM ANALISTA OU COMENTARISTA DO RAMO ATIRE PECHAS A JOGADORES DO TIPO PERNA DE PAU, NÃO JOGA NADA, VIGARISTA, ETC. MAIS DO QUE POUCO ÉTICO, E DO QUE OFENSIVO, TAIS ADJETIVOS, PRÓPRIOS PARA CONVERSA DE TORCEDORES EM BOTEQUIM, CHURRASCOS E CERVEJADAS, REFLETE AUTÊNTICA FALTA DE RESPEITO PARA QUEM BUSCA GANHAR O PÃO NA PROFISSÃO E QUE MANTÉM UMA FAMÍLIA. FAMÍLIA ESTA QUE, POR PAI, MÃE, FILHOS, ESPOSAS, ETC, ESCUTAM RÁDIO, SÃO TELESPECTADORES E LEITORES E ESTÃO EXPOSTOS A VERBORRAGIA DO TIPO. ACHO ISTO TRISTE E LAMENTÁVEL E, TIVESSE EU UM FILHO QUE RECEBESSE DE UM DESTES SUPOSTOS CRÍTICOS UMA LOGORRÉIA ( só chamando assim mesmo ... ) DO GÊNERO, NÃO DEIXARIA DE GRAÇA. AH NÃO.


BEM, SEGUINDO, NESTE MESMO DIAPASÃO, DE QUE O CRITICO TEM O DIREITO DE GOSTAR OU NÃO, COMO LEITOR TENHO O DIREITO, E TODOS TEMOS, DE GOSTAR OU NÃO DESTE OU DAQUELE ESCRITOR, CRITICO ETC. E COMO TAL, NUNCA GOSTEI DO ´TEXTO` DO SR. DAVI COIMBRA. ACHO ELE, O TEXTO, CHATO. ELE, POR OUTRO LADO, ME APARENTA, VEZ QUE OUTRA, EM PROGRAMINHAS MENORES, E POSSO ESTAR ENGANADO, SE PORTAR COM A PRESUNÇÃO DE QUEM SE ACHA UM NOVO LFV, NAS CRÔNICAS DO COTIDIANO, OU UM PROFESSOR RUY, NAS DO FUTEBOL. A MEU JUÍZO ELE ESTÁ MUITO LONGE DISTO, MAS, GOSTO É GOSTO, JÁ DIZIA AQUELA VELHINHA ATRÁS DA CASA ... E PORQUE NÃO CONSIGO GOSTAR DO TEXTO DELE, NUNCA CONSEGUI LER UMA CRÔNICA INTEIRA DESTE SENHOR, NUNCA TENDO ULTRAPASSADO O SEGUNDO PARÁGRAFO. MAS NUNCA MESMO, E QUEM ME CONHECE SABE DISTO. DIREITO MEU. ELE LANÇA LIVROS AOS BALAIOS, TODAS AS SEMANAS, E ISTO TAMBÉM SEMPRE ME SOPROU MAL, ME LEMBRA AQUELE TIPO DE JOGADOR QUE JOGA EM TODAS AS FUNÇÕES MAS QUE NÃO REALIZA NENHUMA COM EFETIVIDADE, E MENOS TALENTO AINDA. POIS NÃO É QUE HOJE UM AMIGO, JORNALISTA DA RÁDIO PAMPA, PARA NÃO FICAR SEM NOME, MAGNO, INSISTIU COM VEEMÊNCIA QUE EU LESSE O QUE ESSE MOÇO ESCREVEU NA ZERO HORA, JORNAL QUE FAZ QUESTÃO DE PARECER SÉRIO, E ACHO QUE ATÉ CERTO PONTO É. POIS LI E FIQUEI PASMO. PERPLEXO.


POIS RESUMIDAMENTE, ESTE MOÇO CONTA QUE NA DÉCADA DE 80 UM JOGADOR QUE TERIA VESTIDO A CAMISA DO GRÊMIO E TB DO SCI TINHA UMA ESPOSA QUE HAVIA SACIADO-SE - ( E ELE USA ESSA EXPRESSÃO ) - FARTAMENTE AO SE ENTREGAR SEXUALMENTE A TODOS OS ATLETAS DE AMBOS OS CLUBES, ENQUANTO O POBRE MARIDO OCUPAVA-SE COM OUTROS AFAZERES, E DÁ DETALHES DESTAS SUPOSTAS ORGIAS SEM, CLARO, REVELAR O NOME DA ESPOSA TACHADA DE VAGABUNDA E DO ATLETA DE CORNO.


COVARDIA. ME DESCULPEM, MAS O TEXTO É NOJENTO, UMA BAIXARIA, NÃO TEM OUTRA DEFINIÇÃO. E É ADMIRÁVEL QUE UM JORNAL QUE TANTO SERVE À COMUNIDADE E TEM, COMO DISSE, A PRETENSÃO DE SER SÉRIO, ADMITA VEICULAR TAMANHA PORCARIA TALVEZ SOMENTE ACEITÁVEL EM PANFLETOS DE ZONA DO MERETRÍCIO. ESTE MOÇO COLOCOU SOB SUSPEITA TODAS AS ESPOSAS DE TODOS OS ATLETAS QUE VESTIRAM A CAMISA DO GRÊMIO E DO INTERNACIONAL NA DÉCADA DE 80. E QUANTOS EXISTEM ? MUITOS.
CERTAMENTE TODOS NÓS PODERÍAMOS ELENCAR VÁRIOS. ESTÃO TODOS SOB SUSPEITA DIANTE DE ESTUPENDA IRRESPONSABILIDADE, LEVIANDADE, MALEDICÊNCIA, DIFAMAÇÃO.


OLHA, CADA UM SABE O QUE FAZ E RESPONDE POR ISTO. JOGADORES NA ENQUADRÁVEIS DA DÉCADA, OU SEJA, QUE ATUARAM NUM OU NOUTRO CLUBE, ESTÁ COM CRÉDITO FORTE COM ESSE PSEUDO JORNALISTA E COM ESTE NOTICIOSO, PARA NÃO SE FALAR NAS ASSOCIAÇÕES DE CLASSE. NÃO DÁ PR SE DIZER MAIS, A NÃO SER REPETIR O QUE TENHO DITO SEGUIDAMENTE SOBRE SITUAÇÕES COMO ESTA:
- UNS JORNALISTAS NASCERAM PARA SER CACO BARCELOS
- OUTROS PARA ENCHERGÁ-LO
- E OUTROS COM O DEVER DE COMPRAR BINÓCULOS PARA QUEM SABE, COM SORTE, VÊ-LO !


COLOQUEM UMA CRUZINHA NO QUE ESTE MOÇO SE TORNOU.

IMPRESSIONANTE

Carlos Josias

 

 


 

 

PELA COESÃO DA TORCIDA TRICOLOR (16/02/09)

 

Na partida contra o Juventude nos recuperamos. Segundo o pessoal da serra, é uma das piores formações alviverdes dos últimos tempos (porém com um bom goleiro). E o Grêmio com isso ? Ganhamos e somamos os pontos necessários. Ruy "cabeção" e Souza (esbanjando a bola) marcaram e Herrera voltou do exílio. O Olímpico é a sua verdadeira casa, quando longe do território argentino, não é mesmo ? O cara foi efusivamente saudado pelos gremistas e entrou em campo com sua garra tradicional. Nos Eucaliptos Jonas confirmou sua tremenda fase e garantiu a merecida vitória: fez dois (um deles de moldura) quase fez um terceiro e não abdicou de dar carrinho. Debaixo de sol forte, botinadas e papel picado incandescente, o Grêmio superou a marcação do Avenida e encaminhou sua classificação na esdrúxula fórmula de um Gauchão que promete ser arrastado. Na terça-feira à noite receberemos o Xavante para fechar a tabela e confirmarmos o adversário seguinte. Segue o fandango. Vamos Grêmio!!!

Último momento: a chegada de Maxi Lopes, depois de interminável e cansativa novela, traz esperança e, normal, interrogações. Que possa somar e participar (até pelo caro investimento feito) de jornadas vitoriosas neste 2009.

A partida contra os caxienses foi marcada por um protesto da Geral. Quem entrava pelo portão 10 deparava-se com as muretas sem trapos e barras. A percussão dos bumbos fez falta, mas a cantoria esteve presente. Verdade que não com todo aquele ímpeto e ressonância. Mas, apareceu. Menos mal, pois na cancha não se pode presentear ao time e a multidão que comparece naquele espaço com um silêncio constrangedor. Penso que não é ficando de braços cruzados, mudo e numa atitude contemplativa frente ao gramado que se dobrará alguma intransigência diretiva. Na opinião e prática desta coluna, dentro do estádio devemos sempre ofertar o apoio incondicional. Fora, bom, aí o pátio pode e deve ser o palco privilegiado para tais manifestações (e tantas já ocorreram em tempos bem mais difíceis) e abordagens. É simples: diante dos adversários, toda força ao Grêmio meu camarada (sem hesitação) e que a cobrança das insatisfações se dê antes e depois dos jogos. Isso quanto ao método. Evidentemente que cada um age da maneira que achar a mais correta. No tocante ao mérito, é preciso registrar o óbvio: a Geral não é qualquer torcida. É distinta, teve que brigar para existir (diante de ações coercitivas e até truculentas dos dirigentes da época e da má vontade e boicote da imprensa) e revolucionou o modo de torcer nos estádios brasileiros. É uma marca registrada do tricolor com sua avalanche de sentimento e responsável direta por muitos episódios de superação e afirmação do nosso amado clube. Cometeu também suas imprudências e pecados que, por certo, geraram lições. Contudo, nada que possa comprometer o merecido reconhecimento e valorização desta que é, disparado, a mais vibrante e fiel torcida no país. Não vejo problema para que, de forma transparente e pública, receba um suporte para seus deslocamentos fora do Olímpico. As lideranças da Geral estão reivindicando transporte e ingressos e creio que numa quantidade para atender exclusivamente a sua demanda interna. Ou seja, me parece não haver nenhum exagero. Nesse sentido, é necessário que o diálogo seja reatado o mais breve possível. Mas, atenção: nem os que lideram a Geral e nem o mais vistoso ou vitorioso dirigente gremista (do passado ao presente) é maior que o Grêmio. Humildade, dos dois lados, ajudará bastante. Eis um pressuposto básico para que avance um acordo (que, repetimos, deveria ser divulgado amplamente para conhecimento dos seus termos) superando o atual impasse. Afinal, estamos ás vésperas da estréia na principal competição do ano e primordial objetivo da Nação Gremista. Precisamos de toda coesão do povo tricolor e isso passa, necessariamente, pelas arquibancadas que não podem parar de pulsar no Monumental e por onde o Grêmio estiver.

Esta questão de subsídios a setores da torcida gera certa polêmica e a controvérsia tem seu fundamento. Até pelo fato da imensa maioria da massa torcedora não receber nenhum apoio material. Desde a capital e passando especialmente pelo interior (e até mesmo por outros Estados) não são raras as mobilizações custeadas por esforçados e fanáticos torcedores que não recebem nenhuma ajuda oficial. Ou seja: eles próprios (e tem muito geraldino nisso) têm que se virar para comparecer a Porto Alegre, ir a Erechim, Buenos Aires, e assim por diante. Sem nenhum tostão do Grêmio. Outro dado evidente é termos a ampla massa torcedora não "organizada", leia-se sem patrocínios, seja no Grêmio ou em que clube for. E a estes não tem atenuante, pelo contrário: graças a uma visão obtusa, de seguidas gestões, fica cada vez mais custoso ter o prazer de acompanhar o Grêmio. Mensalidades e ingressos sobem seguidamente (a última majoração foi agora para Libertadores: ficou fixado um valor de R$ 40,00 para uma arquibancada) o que, pode ter certeza amigo leitor (vamos frisar novamente), afasta pelo bolso muita gente de fé. Temos reivindicado neste espaço uma política de preços que tente preservar esta maioria que tem dificuldades econômicas (e uma gigantesca paixão pelo tricolor). A proporcionalidade (vamos lembrar: aumentem o valor da locação de um camarote da RBS, por exemplo, aliviando as catracas) nas cobranças e o incremento de outras receitas (citamos algumas dias atrás) seria uma forma de estancar este indesejado distanciamento gerado por circunstâncias financeiras. Retornemos ao caso específico envolvendo a Geral: não pode ser esquecido que seus componentes são sócios e igualmente arcam com mensalidades. Possuem o direito de pleitear que o clube colabore com os torcedores que tem por único objetivo (e se alguém tiver algum outro, melhor que nem se apresente) estar ao lado do Grêmio nestas batalhas travadas em várias competições. Esta vasta discussão, no juízo de quem digita estas linhas, vai ajudar a banir toda hipocrisia que tem cercado o assunto. Ao mesmo tempo, delega uma importante tarefa a diretoria gremista (atual e futuras): dar um retorno justo e valorizar toda torcida tricolor (razão de ser e existir deste laureado Imortal). Lembrando dos vários segmentos que compõem a pluralidade e a grandiosidade da Nação Gremista. Não esquecendo de ninguém: porque esta totalidade é o que nos faz fortes. Inclusive a ti (que nos leu até aqui), outro dos imprescindíveis. Pode acreditar.

Recebemos um convite do Valter Zotz Junior e fomos (muito bem) recebidos por ele e pelos seus amigos há poucos dias. O citado (e saudado) é um grande colecionador de tudo que se relaciona ao Grêmio, especialmente camisas, ingressos de jogos (dentro e fora do Olímpico), cartões postais e por aí vai. Tem verdadeiras raridades e dignas da cobiça dos mais dedicados ao ramo dos colecionáveis. É material para espaço cativo em qualquer Memorial do clube. Além disso, costuma acompanhar o Grêmio por todos os lados: dos locais mais conhecidos aos mais inóspitos. Pois, na estréia em terras bolivianas estará lá o homem, a 2600 metros, com as nossas cores e honrando o nosso hino. "Hoje posso viajar e acompanhar o Grêmio, meu sonho de infância", disse ele na ocasião. O Valter, que paga tudo do próprio bolso, sugere a direção do clube que sorteie um ou dois sócios em dia para que também possam acompanhar a delegação nestes jogos como visitante pela Libertadores. Outra ótima idéia para valorizar e premiar esta torcida extraordinária que tanta devoção oferece ao Imortal Tricolor.

Peço licença aos leitores para chamada "reforma ortográfica". Por esta razão mantive idéia (essa aí de cima, do Valter) com o nosso conhecido acento e não cravei à nova grafia. Esta nova brilhante ideia de alguns conhecidos políticos e sumidades do universo gramatical vai surgir por aqui naturalmente, aos poucos (ainda estamos dentro do prazo de validade para nos adaptarmos). O que me conforta é que ainda não foi criada legislação para unificar a pronúncia e abolir vocábulos regionais e algumas expressões. Mas, vindo de Brasília, daquelas bandas do Congresso Nacional, nada mais surpreende. Nem mesmo a posse de um Castelo por um súdito dos contribuintes tupiniquins. Afinal, vivemos num país em que na política e no futebol temos verdadeiros feudos e reis entronados.

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

 

 

 

GAZELA SE DERRUBA A COICE (09/02/09)

Não há dúvida que o resultado foi injusto. Mas no futebol, sabemos bem, não se premia necessariamente os que jogam melhor. O GRENADA teve uma inquestionável superioridade tricolor. Após a infelicidade do sempre aguerrido William Magrão fomos para cima da morangada. O tradicional rival ficou acuado e mal viu a pelota. Nosso domínio territorial (com a meia cancha povoada por tricolores) nos proporcionou ampla posse de bola. O que se traduziu nas inúmeras chegadas à frente, entretanto com igual número de oportunidades desperdiçadas. O mesmo e fatídico problema que colaborou sobremaneira para não conquistarmos o último brasileirão: criamos, mas na hora decisiva da finalização faltou a bendita eficácia. E, convenhamos, fica difícil ter um avante isolado que necessita buscar o jogo pelos flancos ou chamar uma tabela para poder se aproximar da área. Conseqüência direta de um comedido esquema de jogo (3-6-1) proposto pelo nosso excessivamente prudente treinador. A impressão é que sua formatação tática foi mais em função do possível reforço ofensivo do adversário. Se preocupou primeiro em não sair derrotado o que, aliás, é uma característica do Celso Roth: falta ambição. Quando resolveu ousar um pouco, até viramos o placar. Certo, nosso objetivo primordial é o Tri da América e todos os nossos esforços vão nesse sentido. Só que clássico é clássico (redundância das redundâncias) e a Nação Gremista tem por exigência mínima a vitória. Neste aspecto somos pragmáticos: antes um mau desempenho e um bom resultado do que a máxima invertida. Até pelo fato da crítica sempre surgir para correções de rumo, especialmente depois de um triunfo onde carências eventualmente possam despontar. De positivo a combatividade do grupo (com destaque, igualmente para o grande futebol de Souza e a presença de Fábio Santos) que não se abalou com o infortúnio dos minutos iniciais e partiu pra cima com organização e bravura. Chegaram junto, dividiram, e colocaram o milionário co-irmão na defensiva. Até mesmo a chiquitita portenha de vozinha fina levou nos beiços para parar de resmungar. Porém (e sempre rola um porém) faltou uma atropelada do Adílson justamente no lance capital da partida. Ora, é notório que os da Padre Cacique tem uma jogada de arranque e contra-golpe muito conhecida. A gazela é um bicho (eu disse bicho) muito veloz e só mesmo a coice para segurar. Nosso jovem atleta vacilou. Partiu para insanidade do mano a mano, temerário do que seria justamente um troféu dadas ás circunstâncias. Preferiu perder a corrida a ter uma honrada expulsão. Alguns poderiam dizer que faltou "experiência" ao jogador. Ok. Acrescentaria que faltou "vestiário", orientação, alguém que desse o alerta que num caso assim tem que matar a jogada ou, do contrário, os oponentes é que matam o jogo! Bueno, ficam as lições e a imposição de vitória nos próximos embates deste regional. Na quinta-feira receberemos o Juventude no Monumental e devemos estar totalmente remobilizados para buscarmos os três pontos. Todos ao Olímpico! Força Grêmio!

Ainda sobre o Roth (que logicamente terá nosso incentivo, assim como todo grupo, nesta próxima rodada): é preciso exercitar a autocrítica, assumindo suas próprias falhas e chamando para si as devidas responsabilidades. Escutei atentamente uma entrevista antes do GRENADA, onde o mesmo recordava a obviedade de estarmos de olho nos chilenos e tal. Parecia descompromissado com o clássico e já se desculpando por casual insucesso. Não ouvi em nenhum momento uma manifestação do tipo "quero ganhar o clássico", ou "vamos ganhar o clássico, pois é um grande desejo da torcida" ou algo do gênero. Após semanas reclamando da tabela, resolveu só falar de Libertadores e curiosamente frente a quem não está disputando esta competição. Ora, deixe esta parte conosco, treinador. Pense somente em sobrepujar quem se apresenta como nosso antagonista imediato. Mais do que um favor é a sua impositiva obrigação.

No extracampo tivemos o lamentável e revoltante episódio do bandeira com dano irreparável para o tricolor. Os comediantes da mídia amarga local e os dirigentes rubros tentaram igualar o prejuízo à falta sofrida pela gazela na trombada com o nosso zagueiro. Outra graça é desculpar o impedimento marcado e inexistente (não é a toa que Jonas saiu chutando tudo) por problemas nos refletores (o presidente da Federação deveria ter providenciado canhões de luz ao redor do Colosso da Lagoa, já que transferiu para noite a jornada). Desnecessário discorrer sobre tais infâmias. E a camisa rasgada do obeso Índio se deve aos quilos a mais e, quem sabe, a qualidade do fabricante do fardamento. O que deve ser feito imediatamente (sem jamais esquecer que isso não deve amortizar as providências necessárias internamente e que dizem respeito ao próprio Grêmio) pela direção gremista é visitar a FGF e protestar formalmente contra o que, desde Veranópolis, não pode ocorrer. Do outro lado, desde os acontecimentos no Zequinha, tem pressão no confrade Noveletto. Não é só o centroavante deles que é rápido.

Por fim, parabéns a massa tricolor que se deslocou de vários municípios do RS, SC e até do PR para dar o seu insuperável alento ao clube mais copeiro dos pagos ! Comovente o esforço para poder assistir a partida (viagens longas, ingressos com valores para forrar a conta da FGF, horas de espera para ingressar no estádio, clima) e exemplar o comportamento dos que, mesmo com a derrota, aplaudiram o Grêmio. Somos uma Nação orgulhosa e que canta com amor o seu sentimento por este clube extraordinário. Não adianta dividir arquibancada. Erechim foi mais uma ilustração da desproporção: de um lado a cantoria e, do outro, o som dos quero-queros e o silêncio de assistentes que foram despertar somente aos 38 minutos do segundo tempo. Quanta diferença.

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

 

 

MOEDAS E CÃES (04/02/09)

Vivemos de loucura. E a loucura (ao menos no âmbito regional) já começou. Na largada (ainda sem todo o fôlego, mas com cabeças já funcionando) arrancamos um razoável empate com a filial santa-mariense da amargura. Dois destaques: um a presença de Darzoni, que mesmo com a generosa sugestão de levar seus préstimos a uma boa casa de carnes (por aqui preferimos dizer açougue) insiste no esporte bretão. O outro a extraordinária força da Nação Gremista na baixada ocupando massivamente todos os seus espaços. Foi uma desproporção a toda prova, restando aos locais (mesmo reforçados por desocupados secadores da capital) algumas poucas testemunhas. Na seqüência retornamos a nossa casa, ao glorioso Monumental da Azenha. E mesmo sendo mais um escaldante sábado de verão com ingressos caros e que ajudam a torrar o orçamento do torcedor, lá estava um bom contingente de gremistas para recepcionar a nova /velha equipe tricolor. O Esportivo de Bento pouco apresentou além do chamativo fardamento. A goleada surgiu naturalmente e num ritmo de treino destacando-se o ala cabeçudo, raçudo e que sonha um dia tornar-se advogado para enfrentar com mais preparo as injustiças sociais. Por enquanto, segue combatendo adversários com inteligência e gols. Novo Hamburgo foi à última parada desta, agora, fulminante arrancada gremista. Mais um passeio nas proximidades do Rio dos Sinos, com direito a outra cancha com absoluta e majoritária presença de tricolores. Foi à tarde do Tcheco fazer um golaço (além de converter outro) e do Souza jogar com mais liberdade e pagar fielmente a promessa feita à esposa: duas buchas para tranqüilidade no lar doce lar e felicidade da maior e melhor torcida dos pagos. Nesta quarta-feira teremos suplentes (a propósito: será este Gauchão outra competição marcada pelo uso freqüente de reservas, especialmente a partir de fevereiro, tal qual recente desvalorizado torneio da Conmebol) para jogarmos com força máxima o primeiro GRENADA do ano no domingo a noite.

O aniversário de 100 anos do primeiro fiasco rubro perante o pai, irmão, vizinho (ok, muitas vezes carrasco), que sempre lhe inspirou a tentar ter alguma grandeza e magnitude na existência começa a ser festejado na simpática cidade de Erechim. O que não é nada afável são os extorsivos preços dos ingressos. O Conselheiro do tradicional adversário, empresário e presidente da FGF não vê exageros. Após comparações simplórias e desproporcionais , chegou a dizer com toda naturalidade que "o problema seriam os cambistas que vão adquirir e colocar preços maiores". Considerando-se que o jogo tem o "controle" da Federação (tanto que não teremos entradas disponíveis no Olímpico e no aterro de POA), além de meter a mão no bolso dos torcedores ainda se omite de tomar providências contra os atravessadores que irão a sua rede de lojas surrupiar as entradas. Fala o óbvio e contempla suas próprias palavras com a inércia. Evidentemente que o público do interior tem uma enorme demanda reprimida para poder acompanhar a dupla, especialmente o Grêmio, e deve (por esta razão) comprar muitos ingressos. E aí temos outra tremenda sacanagem com os torcedores que não são da capital e que os "espertos", estilo Sr. Noveletto, sabem muito bem que farão todos os esforços para poder ir a campo ! E dá-lhe abuso ! Ah, e "dividir" ás dependências é também afrontoso. Afinal, somos os mandantes. Certo, o jogo foi "vendido" e os clubes receberam valores antecipados, independente da bilheteria. Por acaso a nossa cota foi maior por gentilmente abrirmos mão da condição de "locais"? E se houver outro GRENADA nas fases seguintes ? Existe algum compromisso dos vizinhos em repartir espaços seja onde for jogado ? Ou nos destinarão as maravilhosas dependências de sempre nos seus carcomidos domínios (e que tanto encantam os delegados FIFA na cara comédia - a ser paga pelos contribuintes - "Copa do Mundo") a beira do lago Guaíba? Perguntas, apenas perguntas.

O jogo está marcado (até modificaram o horário) e a malandragem da cartolagem consagrada. Então, resta a multidão gremista que lá estará a incomparável alegria e o privilégio de apoiar incessantemente os comandados de Roth. Passar toda força das arquibancadas para que o clássico 374 tenha sua história escrita em três cores e com o triunfo do único representante do Sul do país na Libertadores da América! E atenção: os de lá estão com o tradicional ressentimento exarcebado! Com sua milionária folha de pagamento e falsa humildade (esconderam a coroa ... dizem que vai aparecer somente no desfile de carnaval) estão mais furiosos: o pay-per-view para assistir na íntegra a maior competição do continente também teve os valores majorados ! Exploração de todos os lados!

Colosso da Lagoa Copado ! Vamos Grêmio !

Da série "questionamentos de uma temporada rica em revelações": será permitido a entrada de cães no estádio, neste GRENADA? Mesmo sem guia, não bastará apresentar a carteirinha? Animais eventualmente barrados poderão recorrer a quem? Diretamente ao Sr. Noveletto ou a algum delegado da FGF?

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

 

AS BODAS DE PRATA DE UMA RUBRICA (26/01/09)

Eu devia ter uns sete ou oito anos quando fui nas bodas de prata de um primo da minha mãe. Foi no Morro Azul, ali pertinho de Torres. Apesar de não ter muita pompa e grã-finagem, a festa era daquelas bem boas, em que a gente encontra um mundaréu de parente que nunca viu, come e bebe tri bem. Entre uma sacudida de La Bamba e outra de Roberto Carlos, o que me marcou mesmo foi que entornei oito garrafas de Mirinda – a inolvidável Mirinda. O que passou batido naquela noite de verão, de fim de anos 80, foi o mote da festa. Sim, eu sabia que eram bodas de prata, mas afinal, o que significava uma festa de bodas de prata? Muito tempo depois, e meio sem querer, descobri que se comemora a tal bodas de prata quando dois alguéns conseguem a façanha de se aturar por 25 anos.

Pois bem. De lá pra cá, me dei conta de que não é só quando algum casal chega lá que se festeja o quarto de século de alguma coisa. Hoje, exatamente hoje, 26 de janeiro de 2009, a falange de sangue azul, preto e branco comemora uma importante boda de prata. Vinte e cinco anos atrás, vencemos o primeiro Gre-Nal de 1984 por 4 a 2. O jogo não era válido por nenhum campeonato, mas também não era um simples amistoso.

Pouco mais de um mês depois de cobrir o mundo de azul, o Grêmio voltava do Japão e recebia do co-irmão as faixas de Campeão do Mundo. Enquanto isso, em gesto não menos honroso, o Tricolor colocava no Colorado as faixas de Campeão Gaúcho, referentes ao campeonato do ano anterior. A antítese da situação me faz lembrar Marx: “De cada um, conforme suas capacidades, para cada um, conforme suas necessidades”. Cada macaco no seu galho. Convenhamos, confrades tricolores, que essa deve ter sido uma tarefa um tanto quanto indigesta para eles. O fato é que nos enfrentaram elegantemente. À época, os vizinhos reconheceram que a esquadra da Azenha era de fato dona do globo – e com total legitimidade.

Ter ganhado em Tóquio e, em seguida, receber a rubrica de campeão do mundo diretamente da Beira-Rio são fatos que só agigantam nossas façanhas. Façanhas estas que, por sinal, serviram de modelo para que outros tentassem por muitos anos (quase uma boda de prata depois!) um feito igual.

Não posso negar que ter chegado lá primeiro é algo que sempre vai requerer – ao menos – respeito. Ao mesmo tempo, lamento por um fenômeno que sucedeu no Rio Grande depois de 2006. Não sei se eles também pensaram em Marx, mas o fato é que baixou um espírito pra lá de bolchevique em metade do Estado. Hoje, tentam nos fazer crer que no panteão dos campeões do mundo, onde todos são iguais, alguns são mais iguais do que os outros...

Agora, quero uma Mirinda. A propósito: uma não, oito. Só que dessa vez vai com vodca, por uma única e simples razão: eu sou borracho, sim senhor.

Me voy.

 

Texto de Ricardo Lacerda, gentilmente cedido ao ducker.com.br

 

 

 

 

 

MESTRES E ALUNOS (16/01/09)


Uma recepção que só mesmo a Nação Gremista poderia ter oferecido. Uma noite para ficar na memória dos que lá estiveram (e se tu não podes ir, tiveste um belo panorama com as fotos e vídeos que foram postados neste site - aliás, congratulações aos que fizeram os registros) e que marcou profundamente o grupo gremista que chegava. Os milhares de tricolores, desde cedo, estavam entrincheirados pela estrada de acesso e também se postaram como sentinelas no pórtico de entrada do município. Ocupação total dos guerreiros tricolores. E foi se aproximar o "trovão azul" que a noite virou dia em Bento Gonçalves com os rojões e sinalizadores. Cânticos, buzinaços, sirenes, correria e carreata. Um entusiasmo que só a melhor e maior torcida da Província poderia oferecer. E, bom lembrar: em se tratando de serra gaúcha, a desproporção é total. Hegemonia completa na gloriosa região de colonização italiana. Uma festa apoteótica e digna de um Campeão Mundial, Bi Campeão da América, acostumado a empilhar troféus das mais diversas competições. Um clube copeiramente (de longa data) afirmado só pode ter uma torcida copeira e que segue o Grêmio a toda parte. Que satisfação integrar esta multidão tricolor que faz escola e segue fazendo história e bebendo vinho.

Por falar em escola. Péssimos alunos. Mais uma vez reprovados. Na véspera da triunfal chegada gremista a terra dos bons vinhos, um modesto contingente (sempre tendo como parâmetro os verdadeiros donos do pedaço, lógico) dos moradores deu às boas vindas aos campeões da copa de suplentes sul-americana. Alguns poucos turistas, talvez acreditando tratar-se da tradicional "festa do moranguinho" (cuja localidade correta é a cidade de Bom Princípio / prestem atenção no mapa na próxima vez) ingenuamente aderiram. Parece má vontade. Mas, convenhamos: não tem possibilidade de comparação ! Não é somente no aspecto numérico, na vibração, nas cores, na garganta e no pulsar dos bumbos. O que os rivais não conseguem assimilar é o seguinte: o sentimento é outro, pois o Grêmio e o seu abnegado torcedor são distintos. Somos de outra vertente, outra trajetória. Certo, os recalcados chamam nosso orgulho de "arrogância". Contudo para nós, gremistas, é simplesmente afirmar nossa identidade e trajetória. Não há como equiparar, nem no gramado e nem nas arquibancadas. Igual, podem vir aqui à vontade e, aproveitando as sensacionais imagens das fotos e vídeos, seguir tentando reproduzir o que enxergam e (contradição das contradições) admiram. Não adianta. Vai ser eternamente uma cansativa e caricata cópia. E, não sendo original, o leitor já sabe: a qualidade deixa a desejar.

No final de 2008 as mensalidades dos sócios foram majoradas. Tudo subiu e sobe (menos os salários dos trabalhadores), inclusive a indispensável cervejinha (que para os gremistas deveria constar na relação de ítens da chamada "cesta básica"). Na ocasião correspondências foram remetidas oferecendo descontos para quitação antecipada, só esquecendo de colocar o valor nominal para quem seguirá pagando mês a mês. Mais recentemente, o site postou as categorias e os respectivos preços. No caso do sócio contribuinte foi de 20% o aumento, ou, na linguagem líquida, algo ao redor de duas cervejas a mais mensalmente. Penso que, obviamente, ninguém vai se furtar de colaborar. Quem está preocupado e com razão são os sócios torcedores. Hoje o valor desta categoria é de R$ 30,00 e possibilita desconto de 50% nas entradas. Considerando-se que (até pelo número de competições) um ingresso vai continuar custando no mínimo R$ 30,00 (para Gauchão, sinceramente, é um exagero) vai pesar no bolso da gurizada. Sim, pois a maioria destes sócios é gente jovem e que vai em todas. Ou seja, não perdem os jogos no Monumental. Que sejam quatro partidas no mês: somado a mensalidade chegaremos a R$ 90,00. Hoje, se associar é praticamente a única possibilidade de acompanhar de perto o Grêmio e também ajudar o clube a se manter grande. Este site faz uma campanha permanente de associação desde sua criação. Porém, está na hora dos dirigentes valorizarem e colaborar com esta maioria que faz muito esforço (acreditem) para levar o seu indispensável alento ao querido tricolor. Afinal, este é o nosso maior patrimônio: o torcedor.

A propósito: quanto custará um ingresso para os jogos da Libertadores ? Fica de antemão a reivindicação que não passe destes já bem cobrados R$ 30,00. Aumentem o preço da locação dos camarotes, cobrem mais das cadeiras que estão à venda, exijam mais retorno das verbas publicitárias, mas poupem as arquibancadas. Quem pode pagar mais, que pague. É preciso uma proporcionalidade nisso tudo. Diga-se de passagem, estamos a pouco mais de 40 dias do início da busca do Tri da América e o marketing gremista permanece adormecido. Não seria agora, justamente, o momento de se fazer uma enorme campanha de associação ao clube? Criar uma nova modalidade ou fazer algumas modificações nas já existentes tornando-as mais atrativas e economicamente mais viáveis a massa torcedora ? Ok. Lançaram os planos para as cadeiras, especulam-se duas novas camisas para os jogos da competição. Mas, é muito pouco para um evento estratégico e no qual depositaremos todas às nossas forças neste primeiro semestre. Quando vão acordar ?

A pré-temporada já está encerrando. Novos jogadores e novas formatações foram testadas. A preferência de Roth por um 3-5-2, não impediu um flerte explícito com a opção de um 4-4-2. Dois jogos treinos contra equipes amadoras, evidentemente, pouco acrescentam no tocante a definições. Os ajustes propriamente ditos serão feitos na seqüência do trabalho em Porto Alegre e, especialmente, durante o Gauchão. E para quem vai disputar, concomitante ao regional, uma Libertadores aguardam-se novos reforços. No mínimo mais um goleiro e outro atacante (de preferência veloz) necessitam ser contratados. Tratativas referentes ao avante até foram feitas, mas não progrediram. Já estamos correndo contra os ponteiros do relógio e não podemos esquecer que outros tantos concorrentes tem o mesmo objetivo que nós.

A perda do Rodrigo Caetano não se mistura e nem deve se misturar com o rescaldo das recentes disputas políticas no clube. O mesmo fez questão de dar uma esclarecedora entrevista nesse sentido. Entretanto, na opinião desta coluna, a nova diretoria do Grêmio poderia e deveria ter valorizado mais este profissional. Não creio que, tendo um reajuste condizente com o papel importante desempenhado no departamento de futebol, deixaria o tricolor. Com todo respeito que merece o Vasco (e torcemos para que o Dinamite reerga a Cruz de Malta) não é lógico trocar a estrutura do Grêmio e a segurança nos pagamentos pelo clube carioca. O Rodrigo se tornou um amigo deste site e sempre esteve disponível para dialogar. Um baita caráter e que, tomara, tenha sucesso no que ele denominou como "um grande desafio". Ficamos na torcida. Sobre o Mauro Galvão não é necessário maiores comentários. Aprendeu tudo o que sabe na escolinha do Grêmio (salve os 40 anos desta glória gauchesca - formadora de craques), esteve no exílio do Menino Deus e quase comprometeu sua formação tendo contato com o futebol faceiro da beira do lago. Mas, voltou a tempo para distribuir discretos safanões, erguer taças e encerrar a carreira de jogador no tricolor. Outro cidadão respeitável, sujeito que vai somar bastante. Está em casa.

E não esqueça: a estréia em Santa Maria (21/01) contra a filial dos rivais mudou de horário (o que vai complicar para quem tem expediente). O jogo começa às 16:30 min. e, apesar de passar para tarde, vai ter, certamente, uma enorme presença gremista. Depois, a retomada em Porto Alegre é no Olímpico (24/01) e contra o Esportivo da acolhedora Bento. Aí vem o Grêmio ...

A coluna já estava fechada quando soubemos da tragédia que acometeu o Grêmio Esportivo Brasil. Informações preliminares dão conta da coragem e força do Danrlei e de vários dos seus companheiros de equipe frente ao desespero do acidente. Estamos todos consternados e manifestamos nossas condolências aos familiares dos vitimados e solidariedade aos xavantes e a comunidade pelotense.

 

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

 

 

 

 

OBRAS, BOLOS E FESTAS (30/12/08)

Esta coluna foi escrita e enviada dia 30/12/08, mas devido à impossibilidade de edição do site dirante as festas de final de ano, está indo ao ar somente hoje, dia 05/01/09

Quem esteve presente no Passo da Areia para apoiar a meninada do Sub-20 saiu esperançoso. Possuímos bons jogadores. O título é resultado de um trabalho meritório desenvolvido nas categorias de base e que aponta um futuro que pode ser promissor para vários destes atletas. Nosso grupo principal necessita e será abastecido por estes campeões. Além de destacar nosso treinador Julinho Camargo, gostaríamos de citar o habilidoso Mithyuê e o zagueiro Wagner como figuras representativas do jogo final. O primeiro com aquela habilidade das quadras e adaptando-se bem ao gramado. Já o segundo com uma firmeza digna de quem veste nossa camisa: antecipa com facilidade e, se inevitável uma dividida, entra com energia, no melhor estilo "rachando". Também sabe sair jogando, mas não tem pudor algum para espantar o perigo com algum chutão que busque os alambrados. Na tarde calorenta que levou um grande público gremista ao acanhado campo da Zona Norte, o ritmo do alento foi ditado pelos bumbos da Geral e os cantos não cessaram. Na adversidade do resultado, foi na arquibancada copada que os jovens tricolores receberam a inspiração para virada. O 2x1 foi merecido. O bom time do Sport Recife valorizou sobremaneira o triunfo. Tanto é verdade que, conformados com a derrota, ergueram seu caneco de Vice e saudaram a torcida gremista que retribuiu com um retumbante e bonito aplauso. E depois ? Bom, depois foi aquela festa tradicional que só a galera gremista sabe fazer e que gera tanta ciumeira e muita paródia por aí. E saímos todos satisfeitos do Zequinha. Orgulhosos pela conquista.

No site oficial do tricolor, dia seguinte, uma das manchetes anunciava: "Paulo Odone é Campeão Brasileiro". Na foto da curta matéria, a imagem do nosso agora ex-presidente com o troféu (clique aqui para ver). Ficaria melhor ter lido "O Grêmio é Campeão Brasileiro". Seria mais apropriado. Afinal, foi o clube quem venceu a competição Sub-20. Curiosamente, quando terminado o último brasileirão, não se viu nenhuma chamada do tipo "Paulo Odone é Vice-Campeão". E muito menos alguma citação nominal quando fomos eliminados do Gauchão e da Copa do Brasil. Até pela obviedade de tais circunstâncias serem pertinentes ao conjunto da diretoria e ao Grêmio como um todo. Não exclusividade de um ou outro dirigente. Mas, chama atenção: quando se ganhou foi na primeira pessoa do singular, quando não se ganhou, quando perdemos, a referência se fez coletiva. A gestão que encerrou seu mandato foi turbulenta por razões internas e externas (desde o episódio Antonio Britto, passando pelo caso Detran, baixas ocorreram no Conselho de Administração). Evidentemente teve suas realizações. Inegável. Contudo, o caráter personalista da conduta presidencial foi uma marca registrada destes anos. Não faz muito, até uma participação social foi postada no site do Grêmio (clique aqui para ver). Ora, obviedade das obviedades, tal ferramenta é da instituição. Não deve se confundir com assuntos domésticos e a esfera privada do corpo diretivo. Combater toda e qualquer postura egocêntrica, eis aí outra boa meta da nova direção (a principal ninguém tem dúvida: títulos). O Grêmio tem que ser um todo e um pouco de cada um dos milhares que o constroem. E a maioria destes, por certo, não exige publicidade nesta contribuição.

O debate sobre a ARENA não se esgotou (vide a polêmica votação ocorrida na Câmara Municipal no afogadilho do final de ano - envolvendo, igualmente, o projeto "Morangão para Sempre"). Será uma companhia permanente nos próximos anos, neste passo a passo até a edificação do novo estádio. A cidade inteira, aliás, estará prestando atenção no que estiver sendo encaminhado pela dupla GRENADA, por seus parceiros e pelo poder público. Da nossa parte, prosseguirá a ação fiscalizadora dos verdadeiros donos do Grêmio: todos nós, os seus torcedores. Ainda bem, pois o Grêmio precisa, cada vez mais, consolidar sua democracia interna. E o torcedor tricolor, embora desagrade a baba ovos de plantão, políticos carreiristas e oportunistas de várias matizes, é ligado: tem capacidade de análise, de crítica, de elaboração. Uma torcida tão presente, apaixonada e participativa tem todo o direito de questionar, de exigir esclarecimentos, reivindicar respeito. E de brigar, se necessário, por esta consideração. Afinal, se pretende (sempre) o bem do Grêmio e do seu vasto universo torcedor. Afirmamos reiteradamente, desde que este assunto foi pautado no âmbito da Nação Gremista, que total transparência é o mínimo que exigimos, o mínimo que esperamos dos representantes do clube. O Grêmio, através dos movimentos que hoje estão sendo tomados (por quem recebeu uma procuração do torcedor - e por isso mesmo temos toda autoridade para cobranças) não pode mais errar. Seja por displicência, maus negócios e também por procedimentos sujos que foram rechear Editorias de Polícia e avolumar o Judiciário, seguimos pagando muito caro. E na hora de ajudar a quitar a dívida, seja da lambança e/ou do lamaçal, historicamente convoca-se o torcedor tricolor. Aos seus ouvidos e bolsos são dirigidos os mais emotivos apelos (nem todos persuasivos, logicamente). A propósito: será que um dia teremos a possibilidade de saber a origem de todos estes débitos milionários que possuímos ? Teremos a chance de ver identificados (via auditoria e outros instrumentos) e responsabilizados os que levaram o Grêmio quase a insolvência, a proclamada e repetida "penúria financeira" ? Perguntas amigo leitor. Perguntas que, imaginamos, seguirão por muito tempo.

 

Reforços. Alex Mineiro é o grande nome, sem dúvida. Jogador experiente e afirmado pode ser uma das soluções para estiagem de gols do nosso finado comando de ataque. O cara é centroavante de ofício e cumpridor dos deveres. Porém, o André Krieger reconhece que devemos trazer mais um atacante. O regional, mas principalmente a Libertadores assim o exige. Até o fechamento deste texto, apenas especulações. Inclusive de o combativo Herrera ser repatriado. E nunca é demais lembrar que no mercado argentino e uruguaio se tem, permanentemente, jogadores com o DNA do Grêmio à espera de uma oportunidade no clube mais aguerrido da Província de São Pedro. Ainda sobre o Alex Mineiro. Lembro do Grêmio x Palmeiras deste ano no Olímpico. Fez o dele contra nós. Iludido, talvez acostumado a viver cercado de corneteiros no Palestra, pediu silêncio a Geral. A ruidosa reação foi aumentar o volume do incentivo ao tricolor. Depois disso, mal tocou na bola. A imprensa recordou a época de Atlético Paranaense e todas aquelas confusões. Embora, justiça seja feita, o novo contratado tenha inocentado Tcheco da farsa de uma suposta "agressão" montada pelo Sr. Metralha e seus comparsas. Hoje, Alex Mineiro está do nosso lado e acertou a direção de futebol na aquisição. Receberá (como todos que vestem a gloriosa) nosso incondicional apoio. Que retribua com muitos gols. Um registro é importante: neste período de chegadas tivemos também algumas despedidas. O Pereirão, por exemplo. Vai, daqui pra frente, seguir a sua carreira longe do Grêmio e da torcida que aprendeu a respeitá-lo e que tem , naturalmente, uma grande admiração por esta figura. Foi fundamental na temporada que se encerra. Um sujeito simples, lutador e uma liderança que vai fazer falta. Talvez o último remanescente que esteve em campo na "batalha dos aflitos". E batalha, superação, é com ele mesmo. Desconhecemos os motivos reais da dispensa. Tem gente boa chegando nesta posição, tem também a gurizada da base. Mas fica a sensação que vai fazer falta o atleta e o cidadão. Desejamos toda sorte Pereira !

Final de jornada. Hora dos balanços, dos planos. Uma nova etapa se aproxima e todos queremos o melhor para os nossos familiares, amigos e o Grêmio. As perspectivas no gramado são promissoras. Esta América que desbravamos com suor, sangue pela testa, algumas lágrimas e vários pontapés e joelhaços desferidos em truculentos adversários está de novo ao nosso alcance. Se não conseguimos a redenção plena desta competição em 2007, embora a final tenha sido um avanço depois de tantos retrocessos, eis que surge (conquista pela porta dianteira da Conmebol) nova e tentadora oportunidade. É mais do que hora de trabalharmos para isso (e que cessem os resmungos do Sr. Celso Roth, cheio de "mágoa" e com R$ 220.000,00 mensais de salário sendo depositado) e nos focarmos neste Tri da Libertadores. Vamos chegar neste pódio. Acreditamos eternamente nesta camisa, nesta história, nesta imortalidade que tanto incomoda a amargura. Nos vemos neste e nos outros embates previstos. Até lá !

Esta coluna agradece a todos que nos acessam, escrevem, passam indagações, sugestões, fazem críticas. Não somos os donos da verdade e nem pretendemos a posição definitiva e balizadora nos assuntos que abordamos. Expressamos uma modesta opinião, manifestamos nosso entendimento e, claro, nossa profunda emoção. O retorno extraordinário que este site possui é resultado do amor que nutrimos (esta imensa Nação) pelo Grêmio, clube único e que possui uma torcida distinta. Em cada foto, vídeo ou palavra, estará sempre este sentimento em azul, preto e branco. Finalizamos com os votos de um ótimo Ano Novo e a crença de que, logo adiante, como já ocorreu tantas e tantas vezes, "O Grêmio vai sair Campeão".

O quê ? Ah, certo. Perdoe a nossa falha. Por compromisso com a educação e o espírito esportivo não podemos deixar de firmar os nossos cumprimentos a uma grande celebração que ocorrerá neste abril de 2009. Trata-se de um aniversário importante. Será festejado nas margens do Guaíba numa sede com estrutura bastante respeitável e que, brevemente, deverá receber novos investimentos. Tal aniversariante é um elemento agregador e formador da paixão de milhares de porto-alegrenses e gaúchos. Tem inúmeros serviços prestados ao futebol, formou craques e acumula vários troféus. Nesse sentido, não podemos deixar de reconhecer e lembrar. Não por acaso deverá ser a comemoração mais comentada pela mídia deste Estado no próximo ano. E com toda justeza. Parabéns antecipados, portanto, a Escolinha de Futebol do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense ! Quatro décadas (1969-2009) formando gerações de vencedores !!!

Jorge Bettiol
ducker.com.br

 

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